Weme Experience Stanford

#Dia5: Construindo espaços para transformar.

Por Maurício Bueno, diretor geral da Weme.

De forma consciente ou não, as pessoas sentem e internalizam o que os espaços de trabalho transmitem. O grande problema é que grande parte dos escritórios foram desenhados de acordo com um modelo industrial, em um tempo em que o trabalho estava amarrado a grandes máquinas e o tamanho dos escritórios era sinal de status.

Escritórios clássicos, individuais, hierárquicos e introspectivos.

O psicólogo social Edgar Schein desenvolveu um modelo que influência toda a teoria da cultura organizacional. O modelo se baseia no fato de que a cultura de uma organização tem três níveis: os pressupostos, algo que existe além da consciência e são elementos invisíveis e dificilmente identificados nas interações entre colaboradores de uma empresa. São crenças e uma perspectiva coletiva sobre a realidade; as normas e valores, que são estratégias, metas e filosofias. São amplamente expressos na organização e direcionadores de comportamentos; e finalmente os artefatos, elementos mais visíveis de toda a cultura organizacional. Transmitem, de uma forma explícita ou implícita, todos os anteriores (os pressupostos, as normas e os valores). Os artefatos podem ser verbais, como piadas e jargões internos; comportamentais, como cerimônias e recompensas; e visuais, englobando tudo o que pode ser visto na empresa, mas representados muito fortemente pelo espaço de trabalho.

Edgar Schein, Psicólogo social e professor do MIT Sloan School of Management.

Chris Flink, professor da Stanford d.school reforça o conceito de Schein: “Os espaços transmitem a linguagem corporal de uma organização. As formas, a funcionalidade e os acabamentos presentes nos ambientes refletem a cultura, os comportamentos e as prioridades das pessoas que estão ali. Isto sugere que um espaço pode ser desenhado para criar ou traduzir a cultura organizacional”.

Na visão dos acadêmicos da Stanford d.school, os espaços de trabalho devem ser desenhados tendo como base o comportamento humano, a funcionalidade e a cultura organizacional, e pensados sobre a ótica de quatro esferas: espaços. É o zoneamento dos ambientes de trabalho de acordo com as atitudes que devem estar ali presentes (ex.: corredores, halls e espaços de apoio); as propriedades. Aspectos sobre as pessoas e sobre os ambientes, que podem ser aprimorados ou alterados para influenciar comportamentos (ex.: o comportamento pode ser drasticamente alterado com mudanças na forma de se sentar. Atributos de ambientes, como a iluminação, podem ser utilizados para se melhorar o humor); ações. Comportamentos e tarefas realizados em cada espaço (ex.: reuniões para brainstorm ou trabalhos individuais que requerem concentração); por último, atitudes. Os valores e hábitos presentes, desejados e valorizados na organização.

Mobiliário desenhado tendo como base o comportamento humano, a funcionalidade e a cultura organizacional.

Na Stanford d.school cada ambiente foi pensado e desenhado para promover o Design Thinking. Além do espaço transmitir a cultura de promover a inovação para as pessoas através da inspiração coletiva, da realização e do trabalho em equipe. Os ambientes também permitem que os processos, os métodos e os comportamentos desejados fluam de uma maneira incomum. Pensando em realizar de forma rápida, os espaços são muito flexíveis. Em poucos minutos uma sala de reunião se torna um auditório ou uma área de trabalho; espaços amplos e com divisórias móveis podem ficar do tamanho que o trabalho em equipe exigir; os ambientes conversam com as pessoas e as ensinam também qual é a atitude e o comportamento desejado por ali; os projetos durante os exercícios ficam em superfícies verticais e não horizontais. Assim o trabalho fica visível e acessível a todos; grande parte das atividades em equipe são realizadas em pé ou em banquetas, estimulando a participação de cada um; e os feedbacks são dados no formato de “campfire”, todos sentados em pequenos cubos de espuma, em um círculo, trazendo proximidade e segurança para os indivíduos e para o grupo.

O espaço proporciona a colaboração.

Pensando em ambientes de trabalho, não existe uma fórmula. Replicar espaços como os da d.school em Stanford não significa sucesso nos negócios. Agora, pensar e desenhar os ambientes de trabalho para suportar e estimular certos comportamentos humanos, para tornar o trabalho algo prazeroso e fluído, e promover a cultura organizacional, com certeza torna a organização mais relevante para as pessoas e para o mundo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.