Honeycomb: reflexões sobre a nossa jornada

Há 6 meses nascia o software do Honeycomb. Aqui, divido alguns detalhes das dores e conquistas dos últimos meses.

Ana Julia Ghirello
Nov 16, 2017 · 6 min read

O Honeycomb é uma ferramenta para empresas que desejam conectar propósitos, criar contexto (com todos pensando estrategicamente e focando na entrega de resultados) e, por consequência deste processo, gerarem autonomia e maior horizontalidade, onde todos são agentes que direcionam o negócio.

A gente não decidiu criar o Honeycomb porque encontramos um ou oportunidade no mercado. Na verdade, a metodologia foi criada no excel para fazer a gestão da abeLLha (incubadora de negócios de impacto social) e do app GoodPeople (app que conecta empreendedores para criarem projetos juntos), e resolver alguns probleminhas nossos de gestão. Quanto mais a gente falava da maneira como operávamos, mais empresas nos procuravam querendo utilizar, também, o Honeycomb.

Encontramos uma maneira simples e visual de solucionar os seguintes problemas:

  1. Como trazer sonho e visão a longo prazo para objetivos tangíveis e realistas a curto prazo (trimestrais)
  2. Como trazer o pensamento estratégico para o dia-a-dia, onde todos na equipe (e não só gerentes, diretores, etc) começam a questionar o porquê das tarefas existirem e não somente partir para executa-las (como as minhas tarefas estão contribuindo para atingir as metas? o que eu faço é relevante dentro deste contexto?)
  3. Como conectar o que a empresa tem a oferecer com o que cada pessoa ali dentro busca pra si

Lançamos o produto em maio deste ano, temos 700 pessoas cadastradas, 140 empresas, R$150 mil investidos, R$20 mil de receita gerada, 4 empresas como clientes recorrentes e um time de 7 pessoas (3 e 4 ).

Sim, vamos bem, mas a verdade é que empreender com capital próprio e limitado, em um país que definitivamente não contribui, mesmo partindo de uma posição de privilégio, é um desafio sem fim (eu já prometi pra mim mesma que essa é a última vez que empreendo "na raça"). Acredito que abrir o jogo sobre as nossas dificuldades é o que mais pode gerar valor para algumas pessoas, e, infelizmente, o que menos acontece.

Sociedade é uma treta

A gente teve um grande problema quando decidimos transformar o Honeycomb em uma empresa separada da abeLLha. Fazia sentido, claro, já que os modelos de negócio são totalmente distintos. Porém, a partir do momento que você começa a tocar qualquer negócio sem deixar os termos e acordos 100% claros, a merda é garantida. Eu errei muito nisso e foi um processo muito duro pra gente, pois a partir do momento que não existe definição clara, também não existe certo ou errado dentro de inúmeras perspectivas. Buscar um consenso dentro deste contexto gerou muito conflito e muitas mágoas.

No meio de viver tudo isso, você ainda precisa tocar o negócio e tomar decisões baseadas nele, e não em conflitos pessoais. Viver isso é super difícil. Busquei conversar com o máximo de empreendedores sobre o assunto, e vi que o tanto de gente que passa por problemas similares é imenso. Tanta gente começa um negócio por pura paixão, todos estão empolgados e acham que dá pra refinar certos acordos no futuro, quando "a coisa rolar".

Tenho orgulho de dizer que, mesmo assim, a gente conseguiu se resolver bem e estamos nos fortalecendo. Nunca mais na minha vida deixo acordos soltos ou coisas para serem definidas mais pra frente!

Gosto da frase, em inglês, que diz: (quando você chega no fundo do poço, só da pra melhorar)

Nosso modelo de negócio tem muitos desafios

É impossível saber exatamente como a sua startup irá atingir sustentabilidade financeira. O nosso modelo, hoje, é tentar escalar como SaaS: ter um produto tão afiado e com uma educação tão simples e clara, que qualquer um poderá criar estratégias relevantes dentro da nossa ferramenta. Essa, na minha visão, deve ser sempre a primeira tentativa: encontrar um modelo de monetização que escale exponencialmente por meio do seu produto e não de acompanhamento pessoal (como, por exemplo, consultoria).

Não sabemos se vamos conseguir chegar onde desejamos: hoje, a maioria das empresas tem dificuldades até em definir quais indicadores devem ser monitorados, quiçá pensar em pilares estrategicamente relevantes. Assim, é primordial que a gente consiga criar conhecimento nesse nível para atingir a escala que hoje dita o nosso modelo de negócio.

Acho que o maior desafio em casos como o nosso é decidir até quando continuar explorando determinada estratégia de monetização. Será que tentamos por X meses atingir Y clientes que vieram e se engajaram sem a necessidade de consultoria? Quando é (e se é) a hora de talvez partir para um modelo estilo RD Station (onde, na assinatura do produto, é obrigatória a contratação de consultoria). Timing está diretamente relacionado à essa questão.

Acho importante definir os parâmetros de indicador x tempo em qualquer processo de validação de modelo de negócio.

Likes raramente engajam diretamente no seu produto

Facebook, palestras e entrevistas são ótimos para crescer a percepção da sua marca, te posicionar como especialista em determinados assuntos e trazer leads para parcerias, mas não são a solução de crescimento e engajamento exponencial diretamente no seu produto. Eu não pensei assim sempre, mas estou mais e mais acreditando nisso. Branding é necessário, porém o volume de leads geralmente captado é de baixo engajamento.

Exercito ter cuidado pra não dar mais valor às curtidas do que realmente merecem. É bacana e necessário ter engajamento com a sua marca nas redes sociais e imprensa, mas pode iludir a realidade — 500 likes em um post, sair na revista, palestrar naquele evento "bacanudo" não significa conversão direta no seu produto ou que as coisas vão bem (apesar de parecer!).

Trazer tráfego qualificado para o seu produto e ter uma boa conversão e experiência ali, entregando o valor proposto é o que gera o boca a boca e crescimento orgânico qualificado. E esse é um enorme desafio quando não se tem verba de marketing. Para completar esse era um dos nossos grandes gaps de talento dentro da equipe fundadora, problema que sanamos com a vinda do Enrique.

Ansiedade financeira

Poucos tem o privilégio de conseguir investir no negócio dos seus sonhos e ainda guardar um dinheiro pra viver por determinado período. Quando decidi sair da OLX eu estava nessa posição: tinha capital para me manter durante um ano e meio e um valor relevante para investir na abeLLha e GoodPeople.

Na minha cabeça, as coisas iriam "virar" (eu conseguir ter pelo menos um salário) dentro desse período. Hoje entendo que se leva, em média, facilmente entre 3 e 4 anos para um fundador atingir alguma estabilidade.

A parte boa é que hoje sou uma pessoa infinitamente mais consciente financeiramente do que antes. Eu sei exatamente para onde cada centavo meu vai e otimizo meus gastos constantemente.

A ansiedade financeira pessoal é, também, muitas vezes carregada para dentro de decisões do negócio. No Honeycomb temos muita sorte de questionar isso constantemente e nos apoiarmos também neste quesito.

A eterna busca de equilíbrio de capital vs talento tech

Cada centavo que é gerado ou captado vai pra gente tentar trazer pessoas pra equipe de produto e desenvolvimento. Acho que essa é um dos maiores desafios encontrados por startups: como conseguir capital para desenvolver continuamente seu produto (site, app etc). A gente vive isso também mesmo tendo muita experiência com negócios de tecnologia.

Nosso time de founders é muito complementar (Max com produto e Fel com branding e comunicação) mas nenhum dos três é desenvolvedor, já foi CTO etc. Hoje reflito que é essencial trazer um cofounder técnico forte desde o início. Não é tarefa fácil mas aposto nesta tentativa.

Uma reflexão final:

Se o seu negócio não é a mais pura expressão de quem você é e do que acredita, dificilmente você terá boa performance ou irá aguentar o tranco da luta sem fim que é empreender. Repare nos negócios que crescem (apesar das dificuldades) e em seus founders e veja como isso é conectado :)

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Se você ficou curioso sobre algum outro ponto que eu não abordei é só sugerir aí nos comentários.

HoneycombLAB

HoneycombLAB é o onde o Honeycomb fala de Futuro do Trabalho, Gestão Horizontal, apresenta modelos modernos de gestão e, claro, conta cases e compartilha as novidades da nossa plataforma de gestão: www.honeycomb.do

Thanks to Max Kejzelman and Fel Mendes.

Ana Julia Ghirello

Written by

Mãe do Snoopy e do Seba. Aprendiz de padeira. Fundadora da abeLLha. Transformação Digital no Telecine.

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