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Como inscrever seu projeto na FAP-DF

No últimos anos, e na contramão do que vem ocorrendo nos outros estados da federação, o Governo do Distrito Federal (GDF) ampliou os recursos destinados a Ciência, Tecnologia e Inovação. A Fundação de Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), por sua vez, tem um dos maiores programas de fomento a startups do Brasil. De 2015 a 2017, foram destinados R$ 14 milhões em subvenção para empresas de fundo tecnológico com até 24 meses da constituição do CNPJ. Em outras palavras, anualmente, cerca de 50 startups da capital são beneficiadas pelo programa da FAP-DF, com subvenções que chegaram até a R$ 200 mil.

Até o dia 15 de fevereiro de 2018, é possível submeter projetos para o edital 12/2017. Ele destina R$ 4 milhões para empresas ou ideias inovadoras que tenham potencial de gerar impacto positivo para a sociedade do DF. O texto a seguir explica um pouco das regras do edital de startups e sugere algumas práticas para a elaboração do projeto a ser enviado para a FAPDF. Caso o leitor tenha uma ideia inovadora de base tecnológica, recomendo aproveitar a oportunidade. Uma ajuda financeira sem equity de contrapartida certamente cai bem, e, na hipótese da não aprovação, ter um bom plano de negócios é sempre positivo.

Principais regras do edital nº 12/2017

O edital 12/2017 contempla empresas e ideias emergentes, desde que sejam inovadoras, envolvam desenvolvimento tecnológico e tenham sede no DF. Embora outras áreas possam concorrer, as áreas de preferência do edital são gestão pública, educação, saúde, segurança, mobilidade e recursos hídricos. É necessário que o coordenador do projeto seja sócio da empresa e se cadastre nas plataformas Lattes e SIGFAP-DF.

A empresa executora deve ter sido constituída há menos de 24 meses. Ela pode ser MEI, Eireli ou LTDA, e, necessariamente, deve ser uma microempresa ou empresa de pequeno porte. As empresas contempladas em 2015 ou 2016 não podem participar desse edital. Caso o empreendedor não tenha formalizado sua ideia em um CNPJ, é possível participar do concurso; se aprovado na 1ª fase, ele deve providenciar a abertura da empresa até o dia do resultado final da 2ª fase, previsto para 12 de junho de 2018.

Há três categorias de subvenção. Os microempreendedores individuais (MEI) podem pleitear até R$ 50 mil; microempresas (LTDA ou Eireli com faturamento bruto de até R$ 360 mil no último exercício) concorrem a até R$ 75 mil; e empresas de pequeno porte (LTDA ou Eireli com faturamento bruto superior a R$ 360 mil no último exercício) são elegíveis para receber até R$ 100 mil em subvenção.

É possível utilizar os recursos com material de consumo, serviços de pessoa física ou pessoa jurídica, bolsas de pesquisa e passagens e diárias, desde que para trabalho de campo ou evento necessário a execução do projeto. As bolsas de pesquisa são divididas em 4 categorias, que usam como critérios a titulação e o tempo de experiência do bolsista para determinar sua remuneração. Elas variam de R$ 2.500 a R$ 4.500. Os bolsistas devem ser aprovados pela FAPDF e devem dedicar-se integralmente ao projeto; portanto, eles não podem ter vínculo empregatício ou funcional. Também é proibido que eles sejam sócios da empresa ou parentes de até 3º grau dos sócios da empresa.

É vedado utilizar a subvenção para uma série de itens. Eles são despesas de capital (ex.: equipamentos), obras e construção civil, locação ou aquisição de imóveis e de veículos, contratação de servidor público ou de empregado de instituição privada, despesas contábeis e administrativas (ex.: luz, água, internet), lanches e coquetéis, viagens que não sejam necessárias à execução do projeto, taxas bancárias, multas, juros ou pagamento de reembolsos de qualquer natureza.

Apesar de o edital não exigir equity de contrapartida, é necessário que o empreendedor se comprometa a investir pelo menos 10% do valor subvencionado na empresa. Alguns dos itens não financiáveis do edital também são vedados de constarem como contrapartida; no entanto, é possível considerar gastos com despesas de capital, locação de imóveis e despesas contábeis e administrativas, por exemplo, como contrapartida.

Caso a empresa chegue à 3ª fase do concurso, uma gama de documentos do coordenador do projeto e da empresa executora são demandados. Para obter o fomento, portanto, pessoa física e jurídica devem estar perfeitamente regulamentadas perante o governo.

Elaboração da Ideia Inovadora

Para a submissão do projeto, é necessário desenvolver um documento com a defesa da ideia inovadora e do modelo de negócios da empresa. Ele tem que ser redigido com fonte de tamanho 12 e com espaçamento de 1,5 entre as linhas. Não há limite de páginas, mas o arquivo, necessariamente um PDF, pode ocupar até 10mb de espaço.

O documento inicia-se com um cabeçalho, no qual deve constar o título do projeto (em geral com um formato parecido com os de TCC), a razão social da empresa (se houver), o nome completo do proponente, os nomes da equipe auxiliar (recomenda-se serem apenas os sócios) e a área estratégica do projeto (conforme as áreas especificadas no item 5 do edital). Caso o projeto não se enquadre em uma das áreas, uma dica é tentar pivotar levemente os argumentos da ideia, de modo a adaptá-la a um dos setores preferenciais.

Uma boa prática para as próximas partes do documento, que confere organização ao desenvolvimento da ideia, é adicionar títulos, conforme a listagem de requisitos no item 15.8 do edital. Eles são (i) Descrição da solução, (ii) Descrição da inovação, (iii) Equipe, (iv) Proposta orçamentária. Nas próximas partes deste artigo, detalharei algumas boas práticas para cada um desses requisitos.

Dica: ao escrever o conteúdo do documento, é imprescindível ter em vista os critérios de avaliação. Eles estão no item 27.1.3 do edital. Para cada frase elaborada, se pergunte: essa frase contribui para corroborar os critérios de avaliação? E depois de tudo escrito, se pergunte: todos os critérios de avaliação foram defendidos exemplarmente? Não descanse até que cada um deles esteja brilhando no texto.

Descrição da solução

Sugere-se iniciar o texto do documento com uma breve introdução do projeto, que apresente sua ideia geral, a fim de sintonizar o avaliador sobre o que ele lerá nas próximas páginas. Essa introdução não deve ocupar mais do que 5 linhas. A seguir, inclui-se o título “Descrição da Solução”, em que constará o detalhamento do produto ou do serviço a ser desenvolvido, elucidando sua consistência técnica, sua fase de evolução e sua efetividade para solucionar o problema proposto.

A dica aqui é exaltar a antítese dor-solução, com o objetivo de evidenciar a relevância da iniciativa. Há duas perspectivas para descrever um projeto: a funcional, que é discorrer sobre o que o produto ou serviço faz e quais as suas funcionalidades; e a tecnológica, que é explicar a tecnologia utilizada no desenvolvimento do projeto, como as linguagens e os diagramas de casos de uso.

A descrição da solução é um momento em que se deve detalhar bastante o projeto e evidenciar domínio técnico do assunto. Pode ser interessante acrescentar gráficos e imagens, a fim de ilustrar os mecanismos da solução. Recomenda-se concluir essa seção retomando a dor e reiterando sua solução. Se possível, é interessante exaltar o impacto social do projeto.

Descrição da inovação

O nome do documento que estamos tratando é “Ideia Inovadora”; essa seção, portanto, é a mais importante de todo o texto. Ela é a melhor oportunidade de convencer o avaliador de que sua ideia é verdadeiramente inovadora. Aqui, é fundamental entender que inovação é sobre comparar uma ideia com o que existe, e não exaltar ela isoladamente.

Para fazer isso com propriedade, é necessário fazer um levantamento dos outros atores no mercado. Não seja ingênuo; qualquer que seja sua ideia, há muitas iniciativas parecidas com ela, e o avaliador sabe disso. Inclusive, citar os competidores mais notáveis denota conhecimento do setor. Faça uma lista dos outros players, liste suas características e compare as características do seu projeto com as deles.

Em quais características seu produto ou serviço se diferencia? Qual o impacto tecnológico da sua inovação no setor? Como a inovação facilita sua inserção no mercado? Como a inovação te dá vantagem competitiva no mercado? A fim de despertar excelente impressão no avaliador, é interessante fundamentar os argumentos com definições teóricas de inovação.

O Manual de Oslo, por exemplo, um dos documentos internacionais mais emblemáticos sobre o assunto, prevê que a inovação pode se dar em um (i) produto ou serviço, em um (ii) processo, em um (iii) método de marketing e em um (iv) método organizacional. Seu projeto inova em qual(is) desses aspectos? Explique e fundamente.

A Lei de Inovação (10.973/2002), por sua vez, introduz o conceito de que, para ser considerado inovador, um projeto não pode se restringir ao ambiente produtivo. Ele deve ser introduzido no ambiente social e ser utilizado por consumidores. Ou seja, uma ideia só é inovadora se sair do laboratório e for para o mercado. Seu projeto tem potencial para tanto?

No próprio edital da FAP-DF, inovação é definida como um empreendimento sustentável que incorpore novas tecnologias aos setores econômicos relevantes do DF. Isso significa que sua ideia não apenas deve apresentar características diferenciadas, como, também, deve ser financeiramente viável.

Por fim, uma das autoridades mais notáveis em inovação foi o economista austríaco Joseph Schumpeter, que cunhou o termo “destruição criativa”. Para ele, há a inovação incremental, uma melhoria contínua em outra inovação, a exemplo do avanço do CD para o DVD. Já a inovação radical, é algo diferente de tudo que há e que destrói mercados anteriores, como o que ocorreu com a introdução do CD nos mercados tomados pelos discos de vinil.

Clayton Christensen, professor de Harvard, acrescentou o conceito de inovação disruptiva às teorias de Schumpeter. Esse tipo de inovação cria um novo mercado e desestabiliza os concorrentes, geralmente por ter um modelo de negócios mais simples, mais barato e mais acessível. Como exemplo, há a inovação do MP3, que veio a substituir os CDs e DVDs.

É importante notar que inovações radicais são disruptivas, mas nem toda inovação disruptiva é radical. Um bom exemplo disso é o Uber, que renovou o mercado de mobilidade urbana, mas que não apresenta nenhum grande salto tecnológico. O Uber apenas alterou as dinâmicas do mercado vigente, tornando-o mais democrático.

As definições de inovação, citadas acima, servem de apoio na argumentação da ideia inovadora. A dica é utilizar os conceitos apresentados para defender a inovação do projeto, quer seja em produto ou serviço, no processo, no marketing ou na organização, ou quer seja uma inovação incremental, radical ou disruptiva, sempre notando sua utilidade para o mercado e sua sustentabilidade financeira.

Equipe

Mais vale uma ideia medíocre em um time excepcional do que uma ideia incrível em um time ordinário. Quem efetivamente faz o negócio se realizar são as pessoas determinadas a atingir o propósito da empresa, com as características e habilidades necessárias para tanto. Esse é o espaço para enaltecer as qualidades e a complementariedade da equipe do projeto.

No documento da ideia inovadora, liste apenas os sócios e, no máximo, os mentores, se eles forem relevantes. Ao escrever sobre a equipe, seja o mais factual possível. O avaliador experiente desconsidera adjetivos e floreios, focando apenas nas conquistas objetivas. Tente ser conciso e usar apenas 1 parágrafo para cada membro do time.

Tradicionalmente, um currículo abriga duas principais áreas: a acadêmica e a profissional. Após o nome e sobrenome do sócio, fale sobre de suas conquistas acadêmicas. Cursos de formação, níveis e instituições. Caso saiba outros idiomas ou tenha tido experiências no exterior, é interessante mencionar. Se houver, liste as patentes, os projetos desenvolvidos e as publicações. Habilidades como softwares, linguagens e metodologias que sejam úteis ao projeto também podem ser apresentadas.

Após a apresentação acadêmica, discorra sobre as conquistas profissionais. Vale dizer as empresas em que trabalhou, as promoções que recebeu, os projetos que liderou e quantas pessoas liderou. Experiências empreendedoras prévias são valorizadas e, caso o desfecho da empresa seja relevante, mencione o que houve (ex.: faliu ou vendeu). Prêmios e reconhecimentos notáveis podem ser mencionados.

Proposta orçamentária

A proposta orçamentária deve estar alinhada ao objeto do projeto. Bom senso e razoabilidade contam muito nesse quesito. Para organizar uma tabela orçamentária, faça uma lista dos itens financiáveis pelo edital que são necessário ao projeto. Para cada item, especifique o tipo de contratação (pessoa física, pessoa jurídica ou bolsa), indique o valor unitário ou a mensalidade, quantas unidades serão necessárias e o valor total de cada item.

Como mencionado, é imprescindível ser realista nas solicitações. Evite solicitar viagens e diárias; a subvenção é tão pequena, que mal dá para desenvolver um projeto, quem dirá para financiar viagens (a não ser que elas sejam indispensáveis). Invista o máximo possível da verba em tecnologia, afinal, o fomento é para inovações de base tecnológica. E, claro, peça o valor máximo, ou próximo do máximo, da subvenção aplicável a sua empresa. De maneira análoga, tente ser generoso na contrapartida.

Critérios de avaliação

Os critérios de avaliação para os itens da Ideia Inovadora são a solução, a equipe, a tecnologia e o orçamento. Cada um desses critérios são especificados mais detalhadamente no item 27.1.3 do edital. O mais fundamental é entender que, se um projeto fosse escrito de forma espontânea, apenas seguindo a lista de requisitos, dificilmente ele obteria a pontuação máxima nos critérios. Desenvolver um projeto para um concurso requer adequá-lo ao que será avaliado. Quem pivotar o projeto e adaptar a argumentação para atender aos critérios analisados sairá na frente.

Outro ponto importante é entender que a sociedade civil espera um retorno desse dinheiro que foi aplicado em instituições privadas. Editais de fomento não se restringem a aquecer a economia, mas, também, têm o intuito de promover impactos positivos para a comunidade. Não perca as oportunidades, ao longo do documento, de exaltar o propósito social do projeto e seus benefícios democratizantes.

Elaboração do Modelo de negócios

No edital nº 12/2017, de modo inédito, a FAP-DF requisitou os mesmos itens do Business Model Canvas (BMC) para o desenvolvimento do Modelo de Negócios do projeto. O BMC é um mapa com os principais aspectos de uma empresa, um resumo dos pontos-chave de um plano de negócios, porém, que tem aspecto mais informal, mais ágil e mais útil para o dia a dia.

Na inscrição para a FAP-DF, uma boa forma de apresentação do BMC é criando o próprio canvas em uma página do documento PDF, com as informações resumidas da empresa. Após esse diagrama, sugere-se desenvolver melhor as ideias de cada uma das 9 seções do BMC, em texto corrido.

Abaixo seguem breves orientações sobre o que escrever em cada uma delas. Se o proponente desejar se fundamentar melhor a respeito do BMC, uma ótima fonte é o livro Business Model Generation, de Alex Osterwalder e Yves Pigneur. É possível encontrar a obra para download em PDF, na internet.

Segmentos de clientes

Para quem o projeto está criando valor? Quem são os consumidores mais importantes? Os tipos de segmentações mais comuns são (i) Mercado de massa (ex.: eletrodomésticos); (ii) Nichos de mercado (ex.: peças de carros); (iii) Segmentado (ex.: bancos), (iv) Plataforma multilateral (ex.: cartão de crédito e Uber).

Nessa seção, é recomendável dimensionar o mercado do projeto. Meios para isso são a participação percentual de seu setor no PIB, sua movimentação financeira anual, o número de consumidores no setor, suas taxas de crescimento anual e esperada, além de informações de nichos e de segmentos específicos que a startup venha a atender. Naturalmente, cada um desses indicadores devem vir acompanhados de sua fonte.

Proposta de valor

A proposta de valor é muito parecida com a descrição da solução, que foi exigido na Ideia Inovadora. A pergunta essencial é: qual problema o projeto está ajudando a resolver? Discorra sobre isso ressaltando a dualidade dor-solução. Propostas de valor podem derivar de novidade, desempenho, personalização, acessibilidade e outros fatores.

Canais de entrega

De nada adianta um projeto genial, se ele não for capaz de chegar aos consumidores. Os canais de entrega estão associados à distribuição do produto ou serviço e à estratégia de marketing. A distribuição pode ser feita, principalmente, por meio de equipes de venda, vendas na web, lojas próprias, lojas parceiras e atacados.

O marketing, por sua vez, é divisível em fases do funil de vendas: conhecimento, avaliação, compra, entrega e pós-venda. Cada fase demanda um tipo de abordagem, por isso é importante ter uma estratégia objetiva de marketing. Em startups, as principais formas de divulgação são contas em redes sociais, posts impulsionados, mailing, growth-hacking, marketing de conteúdo, SEO, Google Adwords, assessoria de imprensa, parcerias com instituições afins e participação ou promoção de feiras e eventos.

Relacionamento com o cliente

Que tipo de relacionamento será estabelecido com os clientes, a fim de conquistar, reter e ampliar vendas? Os principais tipos são (i) assistência pessoal (interação humana); (ii) assistência pessoal dedicada (representante específico para cliente individual); (iii) self-service (meios necessários para os clientes se servirem); (iv) serviços automatizados (self-service acompanhado de personalização) e (v) comunidades e cocriação (comunidades online de clientes que geram conteúdos).

Atividades-chave

As atividades-chave são as ações mais importantes para fazer o modelo de negócios funcionar. Elas variam conforme o modelo de negócios. No caso de um produto entregável, costuma ser o desenvolvimento, a fabricação e a entrega do bem. Em modelos associados a resolução de problemas, como hospitais e escritórios de consultoria, são novas soluções para os problemas dos clientes. Em redes e plataformas digitais, é o gerenciamento e a promoção da plataforma.

Recursos-chave

Quais os recursos mais importantes para fazer o modelo de negócios funcionar? Os recursos mais comuns são o físico, o intelectual, o humano e o financeiro. O físico envolve fábricas, edifícios, veículos, máquinas e sistemas, entre outros. O intelectual está associado a marcas, patentes, registros e banco de dados. O humano trata-se de cientistas designers, programadores e engenheiros, para citar alguns. O financeiro, por sua vez, diz respeito a dinheiro, subvenções, subsídios, linhas de crédito.

Uma nota a respeito dos recursos-chave é que, em 2015 e em 2016, um dos requisitos exigidos pela FAP-DF era a infraestrutura disponível na empresa executora. Para tanto, os candidatos descreviam seus espaços de produção: m² da sala, localização, número de estações de trabalho, os computadores, internet de alta velocidade, impressoras, scanner, filtro de água, frigobar, microondas, cafeteira, material de escritório, telefone, ar condicionado etc. Caso julgue interessante, é possível fazer essa apresentação no projeto.

Parceiros-chave

Quem são os principais parceiros e fornecedores? Eles são responsáveis por quais recursos-chave e por quais atividades-chave? Os principais tipos de parceria são (i) alianças estratégicas entre não competidores, (ii) parcerias estratégicas entre concorrentes (coopetição), (iii) iniciativas de duas ou mais empresas para desenvolverem novos negócios (joint ventures) e (iv) relação comprador-fornecedor para garantir suprimentos confiáveis.

As parcerias estratégias são estabelecidas por vários motivos. Alguns dos mais comuns são para otimizar recursos e impulsionar a economia de escala; reduzir riscos e incertezas relacionados ao negócio; adquirir recursos e atividades particulares essenciais à empresa.

Principais custos

Quais são os custos mais importantes do projeto? Quais os recursos principais e as atividades-chave mais caros? Há algumas empresas que são essencialmente direcionadas pelo custo, com o objetivo de minimizar os gastos ao máximo, a fim de oferecer serviços econômicos (ex.: linhas aéreas econômicas). Outras empresas são direcionadas pelo valor: seu propósito é agregar o máximo de valor possível para seus clientes (ex.: hotéis de luxo). Boa parte das empresas, contudo, buscam um meio termo entre esses dois extremos.

Na estrutura de custos há os custos fixos e os variáveis. Os fixos são custos constantes, a despeito do volume de produção. Os custos variáveis, por sua vez, variam proporcionalmente ao volume de produção. É importante notar que, no longo prazo, todos os custos são variáveis, por isso, é recomendado considerar um espaço temporal de cerca de 2 anos para a diferenciação entre custos fixos e variáveis.

Uma boa alternativa visual para indicar os custos é criar uma tabela da seguinte maneira: a primeira coluna indicando faixas de clientes (0 a 1.000; 1.001 a 10.000 etc); as próximas colunas indicando os principais tipos de custos (pessoal; infraestrutura; bens de consumo). Para cada faixa de clientes, então, estima-se o valor gasto para suprir os tipos de custos.

Fontes de receita

Quais valores os clientes estão dispostos a pagar? O quanto cada Fonte de Receita contribui para o total? As fontes de receita mais comuns são venda da posse de um recurso físico (ex.: carro), taxa proporcional ao uso de um serviço (ex.: telefonia), taxa de assinatura (ex.: academia), empréstimos ou aluguéis (ex.: dinheiro), licenciamento (ex.: patentes), taxa de corretagem ou serviços de intermediação (ex.: cartão de crédito) e anúncios e espaços publicitários (ex.: eventos).

Após a descrição das principais fontes de receita, é interessante simular um gráfico com projeções de faturamento. Para isso, cria-se uma tabela com a descrição dos tipos de fontes de receita e com a expectativa de faturamento para cada fonte ao longo dos meses ou trimestres. O início das projeções de faturamento (mês 1), geralmente é o primeiro mês após o término da subvenção econômica.

Depois desse exercício, basta criar um gráfico com as projeções de faturamento em uma série temporal. A visualização do gráfico pode ajudar o avaliador a entender o potencial escalável do negócio, desde que os números sejam realistas.

Estágio de desenvolvimento

O requisito “Estágio de desenvolvimento” não consta no BMC; ele é um item demandado pela FAP-DF, especificamente. A banca espera apurar se o projeto está em fase de conceito, se já tem um protótipo funcional, se já se constituiu em um produto com receita e se há possíveis clientes testando a solução.

A tendência é que, quanto mais avançada estiver a iniciativa, maior será sua pontuação. De certa forma, isso evidencia o compromisso com o projeto; ademais, um projeto mais maduro já dirimiu alguns dos riscos inerentes a ideias ainda no papel. Nessa seção, tente exaltar os méritos que já foram alcançados com a iniciativa. Indique há quanto tempo o coordenador do projeto vem pensando e amadurecendo a solução.

Provável duração do projeto

A duração do projeto no edital nº 12/2017 foi algo particularmente polêmico. Isso porque (i) o prazo de vigência do projeto é de até 24 meses, (ii) os recursos são liberados em 2 parcelas iguais e (iii) a prestação de contas parcial é feita até o 13º mês da liberação da primeira parcela dos recursos.

Alguns interpretaram que seria possível fazer a prestação de contas a qualquer tempo antes do 13º mês e, portanto, receber a 2ª parcela assim que a prestação de contas fosse aprovada. Outros interpretaram que a prestação de contas parcial seria feita necessariamente após o 13º mês do projeto, significando que o projeto teria que durar, no mínimo, cerca de 18 meses.

Não se sabe ao certo como isso será na prática. Para todos os efeitos, quem for conservador, talvez fosse mais seguro escolher um período de 18 a 24 meses para a duração do projeto, ainda que o senso comum entenda que esse é um prazo demasiadamente longo para se desenvolver um projeto de startup, sobretudo com uma verba tão ínfima.

Contrapartida

A contrapartida demandada é de 5% do valor concedido e pode ser financeira ou econômica. A financeira é depositada na conta bancária que será aberta para gerir os recursos da subvenção; a econômica é um compromisso de se investir em determinados itens para o projeto e, na prestação de contas, apresentar os recibos e as notas fiscais que comprovem o investimento.

Embora a descrição da contrapartida seja requisitada no Modelo de Negócios, seu critério de avaliação está na parte da Ideia Inovadora. Talvez seja prudente incluí-la nesse momento do documento, mas, também, replicá-la após a proposta orçamentária.

A contrapartida nada mais é que uma tabela exatamente igual a da proposta orçamentária, contudo, com a descrição dos itens que o coordenador financiará para o próprio projeto. No item 13.5 do edital, há uma lista do que é vedado incluir como contrapartida. Exceto esses itens, todo o resto é permitido. É importante lembrar, apenas, que a adequação da contrapartida é um critério de avaliação do projeto.

Critérios de avaliação

No Modelo de Negócios, é interessante usar os termos técnicos do BMC para conferir certo rigor teórico ao projeto. No mais, as recomendações são as mesma da Ideia Inovadora. Todo o Modelo de Negócios deve ser desenvolvido tendo em vista os critérios de avaliação definidos no item 27.1.3 do edital, além de exaltar o potencial retorno do projeto para os pagadores de impostos que estão financiando o fomento.

Pitch

Além da Ideia Inovadora e do Modelo de Negócios, é solicitado um Pitch gravado de 2 minutos de duração. A estrutura não deve fugir muito da tradicional. Inicia-se com uma frase de abertura com a ideia geral da iniciativa, seguida por uma apresentação mais detalhada da dor e da solução proposta.

Então, fala-se sobre o modelo de negócios que sustenta a solução do empreendimento. Para justificar os aspectos repetíveis e escaláveis do projeto, é interessante discorrer sobre o tamanho do mercado que a solução pretende atender. Por fim, legitima-se o negócio com as conquistas que ele já obteve e com a apresentação de um time multidisciplinar.

Conclusão

Inscrever um projeto na FAP-DF é trabalhoso, mas é um esforço recompensador. É uma chance de receber subvenção para um projeto que, de outro modo, ficaria engavetado ou levaria muito mais tempo para rodar. Ademais, na hipótese de o proponente não ser contemplado, ele tem em mãos todo um plano de ação para executar sua ideia e vendê-la para investidores e para potenciais sócios.

Após essa longa explanação, desejo toda a sorte que puder para os empreendedores que se empenharam em desenvolver um bom projeto. Caso necessitem de alguma ajuda com a elaboração do projeto, do pitch ou para o desenvolvimento posterior da ideia, contem com a Humanoide. Temos todo um time especialista em startups e ansioso por fazer ideias criativas decolarem.

Conheça o time Humanoide

Precisando de ajuda para tirar uma ideia do papel? A equipe da Humanoide tem todo o expertise necessário para estruturar uma ideia em plano de negócios, viabilidade econômica, identidade visual, landing page, pitch deck, sistemas entre outros. Esses instrumentos equipam o empreendedor e dão o impulso necessário para fazer ideias se realizarem.

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