Humanoide Co
Published in

Humanoide Co

PENSAR COM IMAGENS, UM EXERCÍCIO CENTRADO NO HUMANO

Enric Jardí, na obra “Pensar com imagens”, nos leva a um exercício de reflexão acerca da leitura visual. Quando “lemos” imagens nosso cérebro trabalha de modo totalmente diferente de quando lemos um texto. Por meio de conotações, conceitos, cores, formas e tipos a mente humana analisa uma imagem por partes e assimila em um só golpe a mensagem a ser transmitida. Na produção de uma ilustração, símbolo ou colagem o autor insere sua visão de mundo e na leitura o leitor se apoia em suas experiências para entender o que está vendo. Dessa forma, a criação visual é algo que merece atenção, estudo e planejamento e abre margem para um campo extenso a ser explorado.

Como designer, faz parte da minha rotina não apenas consumir e produzir conteúdo visual, mas analisar e examinar esse bombardeio imagético. No aspecto da função social do designer, um dos pontos mais relevantes para nós como profissionais é compreender o nosso próprio papel como criadores de conteúdo visual. É parte do ofício entender que em nossa cultura visual um botão vermelho tem sentido completamente oposto a um botão de cor verde, por exemplo, e que uma decisão equivocada quanto ao uso de uma simples cor pode se desdobrar em diversos efeitos tanto positivos como negativos na experiência do usuário.

Na rotina do fazer design, muitas vezes produzimos conteúdo de forma instantânea e automática. Pouco liga-se para como, porque e para quem determinado projeto está tomando forma. Na verdade, não tem-se tempo hábil para sequer ligar. Isso é um reflexo natural e direto do sistema de consumo instaurado, presente desde o momento em que nascemos (literalmente, afinal de contas, fraldas não caem do céu). Pouco a pouco, falo por experiência, o designer se afasta do que fez ele se apaixonar por design: trabalhar com o sensível, criativo, subjetivo, inusitado e, sobretudo, humano. Por essas e outras, no meu dia a dia, procuro sempre questionar essa automação.

Neste cenário, o Design Centrado no Humano (DCH) entrou no meu arsenal de ferramentas muito benquisto. Vejo o DCH como um modo de aproximar ao máximo o processo de criação ao humano, ou humanos, envolvido(s) no projeto. Vale ressaltar que aqui fujo do termo usuário, pois a premissa é quebrar todo esse protocolo formal que distancia os designers dos clientes como se estivessem em pontas opostas do caminho. O DCH é justamente a grande sacada de se compreender que usuário e designer caminham juntos.

Veja bem, projetar para humanos é um grande exercício de empatia. Uma coisa é listar uma série de traços e necessidades que supomos que nosso público alvo tem e criar meia dúzia de personas. Outra bem diferente é ter contato direto com esse público, é vivenciar, na medida do possível, tudo que se passa na rotina dele. Sendo assim, o design centrado no humano busca interagir com os usuários diretamente por meio da observação, da pesquisa e da ponderação. Métodos incríveis para isso são aplicar entrevistas pessoais, compor diários fotográficos e reunir o máximo de dados que conseguir por meio da pura e simples observação. Como resultado, o designer frequentemente deixará de lado soluções padronizadas, convencionadas e técnicas em busca de atender ao usuário e não a teoria.

A chave do design centrado no humano é engajar com o seu usuário e, a partir do material, avaliar de forma crítica e ponderada como solucionar os problemas existentes. Uma das facetas fantásticas do DCH é iniciar um projeto por um ângulo e durante o processo de pesquisa surgirem outros pontos de vista, resultando em mais problemas que não poderiam ter sido apontados antes. Dessa forma, muitas vezes, nos poupa de problemas inesperados que, sem a profunda pesquisa inicial, só surgiriam bem em etapas avançadas do desenvolvimento, já na fase de testes, por exemplo.

Na esfera do design centrado no humano, o design participativo se insere como uma abordagem sensível e encaixa-se perfeitamente como método que propõe envolver ativamente todas as pessoas afetadas pelo projeto no processo de criação. Sendo assim, é possível que pessoas de diferentes áreas e vivências agreguem valor ao projeto em um processo de codesign, resultando em um produto mais próximo da realidade do consumidor final.

Na Humanoide, usamos a ferramenta Google Design Sprint e, com a participação tanto do cliente quanto de consumidores reais, tem se mostrado um grande diferencial em nossa dinâmica de trabalho. Nas sprints, nós, como designers e programadores, temos a oportunidade de acessar uma visão diferente do projeto e entregar soluções adequadas com maior qualidade e agilidade.

Compreender o design como um processo dinâmico é imprescindível para alcançar resultados que vão além do estético e formal. O profissional de hoje precisa entender que nem sempre uma grid ou uma serifa serão aplicadas como a teoria ensina. Para tanto, livrar-se de dogmas e projetar para de fato solucionar me parece o mais sensato. Longe de ser algo engessado, o design muitas vezes é imprevisível e isso é ultra empolgante.

VOCÊ TEM UMA GRANDE IDEIA? COMECE AQUI.

Combinamos design e tecnologia para transformar ideias criativas em uma experiência digital encantadora.

--

--

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store