Discursos Modernos x Pós-Modernos

Recentemente, presenciamos um bombardeio de comentários sobre Johnny Hooker e Ney Matogrosso. Não vou entrar em detalhes, pois eu concordo com Ney, discordo de Hooker e isso é uma opinião pessoal. O ponto é que a discussão entre os dois é claramente uma discussão geracional. São dois pontos completamente diferentes. E isso tem muito a ver com a criação, o período onde nasceram, cresceram e etc.

Ney Matogrosso fez muito pela cultura em geral, especificamente pela LGBT, mas por que então, ele diz que nunca quis essa bandeira? Ney Matogrosso não é um símbolo gay, nem LGBT. Palavras são traiçoeiras, temos que ler as notícias por completo. O Ney nunca teve uma bandeira mesmo. Simplesmente porque o Ney é de um tempo que a sobrevivência e a militância existia sem bandeiras. Ele sempre fez a arte dele, e para a sociedade era tabú ser daquele jeito, para ele não. A geração do Ney, não viveu uma bolha, não viveu a Internet, não viveu a segmentação, não viveu o nicho. A geração do Ney é absoluta, universal. O Ney não tem uma bandeira, mas não é por não carregar uma militância, que a pessoa não milite. É como se fosse algo orgânico, intrínseco a pessoa. De fato, a pessoa do Ney não é algo que se possa categorizar.

Agora, eu sou pós-moderno. Posso contestar milhares de coisas sobre o que eu discordo das gerações anteriores. Mas acho que o ponto aqui é o discurso geracional.

O discurso da geração moderna são muito mais bonitos que os nossos. Sim são mesmo. A geração do século passado é absoluta, o mundo se dividia entre oprimidos e opressores. Apenas. Se você luta por igualdade, você é oprimido. Se você não faz parte da luta você é opressor. As causas mais variadas existiam, óbvio, mas elas não eram tão latentes em grupos. O discurso é sempre de igualdade independente de quem seja. A mensagem é ampla e atinge o maior número de pessoas possível. Exemplo de mídia que se expandiu nessa geração: A TV. Analisem os discursos na TV em toda história. Quando um comentário de “não quero bandeira nenhuma” surge para nós, até eu fico incomodado, mesmo concordando com Ney.

Já o discurso da nossa geração não é tão bonito, universalista. Ele é direcionado, segmentado. Nós lidamos com a dor e a delícia de viver em bolhas e o que um se incomoda no meu círculo social geralmente todos se incomodam. A nossa mensagem é bem menos romântica e mais real, mais próxima do fato que existem muitas opressões, cada um a sente de uma forma e cada grupo reage de um jeito. A opressão ao racismo, não é a mesma opressão ao machismo e não faz nenhum sentido um homem branco falar sobre as duas, por exemplo. Nós necessitamos de um representante que pareça com a gente, e não de um representante que entenda nossa realidade. A nossa mídia não é a TV, é a Internet. Observem os discursos que nela estão empregados, e comparem com as da TV.

Analisar dois pontos como os de Hooker e os de Ney são mais úteis quando a gente analisa os tipos de fala empregados pelas gerações. Mas em todo caso, é importante sempre checarmos a veracidade das informações e ler as notícias por completo, para não tirarmos conclusões precipitadas.

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