Os engana-trouxas da nova geração

Com o avanço absurdamente rápido das tecnologias, muita coisa mudou no mercado de trabalho. Hoje, temos jovens líderes respondendo por equipes enormes de profissionais muito mais antigos e cascudos. Vivemos na era dos prodígios.

Só para ilustrar, no ano retrasado, um empreendedor mirim de 14 anos, David Braga, criou um aplicativo de venda de material escolar. Na época, já contava com 3 mil clientes e faturava R$ 100 mil por mês. E o mais bizarro é que, cada vez mais, isso deixa de ser exceção.

Até aí, maravilha. É a nova realidade em que meu filho aos 3 anos já navegava sozinho na internet e, aos 7, começou a criar games. Quando me refiro aos “engana-trouxas”, falo de uma legião de jovens adultos que pegaram carona nesse movimento e já chegam ao mercado se auto intitulando “especialista”, “coach”, “CEO” — quando seus primeiros e únicos negócios são sites que eles chamam de empresas.

São meninos que mal têm experiência de vida, cagando regras e ditando fórmulas mágicas: “conquiste a atenção dos clientes em 2 minutos sem gastar um tostão”, “7 passos para se tornar um redator de sucesso e ganhar milhões”. Parênteses: já perceberam que virou uma febre isso de enumerar as soluções, como se fossem todas iguais, receita de bolo? É “seguiu, se deu bem”.

Sempre que eu esbarro, virtualmente, com uma figura dessas vou pesquisar sobre, dar um Google, olhar o Linkedin. E o resultado é quase sempre o óbvio — são meninos que tiveram um ou dois empregos, já são palestrantes de bábláblá e querem “ensinar” o caminho das pedras. E o pior de tudo não é essa enganação amadora. É ver que colegas experientes, que consolidaram seus nomes no mercado, que têm uma trajetória admirável, caem na rede desses peixes pequenos. Seguem sem questionar ou sem pesquisar melhor as dicas dos pseudo-gênios, gastam uma fortuna com e-books e acreditam nessa ladainha da garotada.

Antes, era preciso muitos anos de estrada para desenvolver a habilidade de enrolar alguém. Agora, isso se tornou a coisa mais trivial e virtual do mundo. Então vou dar 4 dicas mágicas para não cair nessa rede :-P:

1) Antes de qualquer coisa, desconfie;
2) Pesquise mais a fundo as realizações (reais) dos caga-regras;
3) Pare de viver em busca de um milagre;
4) Não espere ansiosamente pelo item 5.

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