Chance The Rapper está determinado a sentar na mesa dos adultos

Chancelor Bennett, conhecido como ‘Chance The Rapper’ é um dos rappers mais promissores do cenário americano. No auge dos seus 23 anos, Chance já dropou três mixtapes autorais, foi capa da revista Billboard e teve a oportunidade de fazer música com uma de suas maiores inspirações e um dos ícones do hip-hop, Kanye West.

Mais do que isso, o prodígio de Chicago vem se mostrando como um dos rappers com maior capacidade de diversificação em seu som, capaz de cantar desde o pop “Confident” com Justin Bieber, até seus versos mais pesados com forte influência gospel em “Ultralight Beam” de seu mentor e ídolo, Kanye.

Toda essa ascensão é ainda mais incrível quando você descobre que ele não possui contrato com nenhuma gravadora, é 100% independente. Em 2015 ele se tornou o primeiro artista independente a se apresentar no Saturday Night Live, tradicional programa de comédia americano. Acompanhar a carreira de Chance é também acompanhar seu amadurecimento enquanto pessoa e artista, e isso é nítido quando paramos para analisar sua obra até aqui.

A edição de agosto da Billboard coloca Chance como um dos rappers mais promissores da atualidade

Começando com seu primeiro trabalho, a mixtape 10 Day tem origem em uma suspensão escolar que Chancelor recebeu no colegial em 2012 por posse ilegal de maconha e faz referência aos dez dias de punição recebida. Essa mix fala sobre a complicada relação de Chance com a escola, suas pretensões ambiciosas no rap e claro, sobre o uso de drogas e o convívio com os amigos. Um trabalho mais puro, com poucos features e em que Chance apenas rima e expõe parte de suas experiências de vida.

“We Back” é a frase que abre seu segundo trabalho, o Acid Rap, lançado em 2013. De fato, Chance estava de volta, desta vez mais maduro e entregando um álbum mais completo e mostrando toda sua capacidade musical para experimentar novos estilos. Amigos e artistas locais de Chicago como Vic Mensa e BJ The Chicago Kid ajudaram a entregar alguns dos hits de Chance como Favorite Song, Juice, Acid Rain, Chain Smoker, Pusha Man, entre outras. Childish Gambino e Action Bronson também marcaram presença e dão peso ao álbum.

Acid Rap não é apenas uma referência ao estilo ácido das rimas e do jazz que compõe a obra. Numa entrevista para a MTV em 2013, ele admitiu estar sob efeito de ácido em boa parte da construção da mixtape. Essa foi uma fase totalmente despreocupada de Chance, que, com apenas 20 anos, só queria aproveitar a vida com os amigos e se divertir.

Depois do lançamento da segunda mixtape, novamente, a arte imita a vida quando se trata de Chance The Rapper. Em entrevista recente a GQ Magazine, comentou que estava colhendo os frutos de seu último trabalho, começando a se tornar relevante na cena underground e até mesmo fazendo som com os nomes já consagrados do rap. Ele havia se mudado pra Los Angeles e alugado uma mansão, vivendo realmente uma vida de rock star.

Com tantas possibilidades e experimentando um auge nunca antes alcançado, Chance teve um problema com Xanax (Remédio utilizado como psicotrópico e muito popular nos EUA), como ele mesmo admite: “Eu tinha me tornado um zumbi, sem fazer nada produtivo durante o dia todo”.

Foi nesse ponto que ter uma obra tão conectada à sua vida pessoal se tornou o maior trunfo do ‘Lil Chano’. Ele retornou para Chicago, reatou as relações com sua antiga namorada, que ficou grávida e mudou completamente a perspectiva do rapper. Sua filha teve uma pequena complicação médica durante a gestação, o que acabou aproximando-o de sua família, e de Deus, elementos que dariam a tônica de Coloring Book.

A capa do álbum foi feita a partir de uma foto de Chance olhando para sua filha

A expectativa pela nova mixtape foi grande, quem conheceu o artista a partir de 2013 ainda não havia experimentado um grande lançamento do rapper. No fim das contas, Coloring Book cumpriu tudo o que prometeu: Trouxe diversas colaborações de artistas como Lil Wayne, 2 Chainz, Kanye West, Young Thug, Justin Bieber, Ty Dolla $ign e Jay Electronica, tudo para deixar seu álbum mais pesado e diversificado.

Coloring Book é um álbum que fala sobre sentimentos, sobre maturidade e crescimento, e sobre o grande desejo de ser bem-sucedido na indústria musical, tudo girando em torno da família que Chance acabara de construir. Ao mesmo tempo, é também um álbum que fala da pobreza, da violenta cidade de Chicago e da dor de perder amigos, como em Summer Friends:

Summer friends don’t stay
 Summer friends don’t stay around

A faixa ‘No Problem’ que conta com a participação de Lil Wayne e 2 Chainz, trata de sua característica mais marcante: Independência. Ele continua sem assinar com uma gravadora mesmo após o sucesso recente, e deixa claro que quer continuar assim. Num mercado com tantos artistas disputando espaço, uma gravadora pode facilitar o caminho, no entanto, ele prefere ter total controle sobre sua música.

O pensamento de maturidade que ele tanto tenta passar, fica muito claro na faixa “Same Drugs”. Chance cita a frase “We don’t do the same drugs no more” como uma metáfora para diversas coisas que mudaram completamente em sua vida com sua namorada. Essa mixtape coloca fim a uma espécie de ‘trilogia’ lançada por Chance. Três momentos distintos da vida de um jovem e expostos, três momentos que mostram sua evolução enquanto ser humano e enquanto artista.

Ele também prestou uma homenagem ao boxeador Muhammad Ali durante o ESPY Awards, premiação anual da ESPN

Meses antes do lançamento, ainda em fevereiro, Chance participou da música Ultralight Beam, que abre o disco The Life of Pablo de ninguém menos que Kanye West. Nesse som, ele sabe que está deixando o Underground e partindo para o mainstream, quando diz:

I made Sunday Candy, I’m never going to hell
 I met Kanye West, I’m never going to fail

A benção de Kanye o colocou definitivamente no ‘jogo’.

Tudo o que sei é que Chance The Rapper passou a ser um nome conhecido não mais apenas no hip-hop, mas no mundo da música. Seu trabalho não deve nada a outros grandes nomes da cena atual. Chance está, mais do que nunca, pronto para sentar na mesa dos adultos.

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