Como a sua fanpage pode sobreviver às mudanças do Facebook

Mark Zuckerberg e o famoso quem quer rir, tem que fazer rir ( Reuters/Stephen Lam)

No final de outubro do ano passado, o Facebook realizou alguns testes para diminuir a difusão de fakenews dentro da rede social ao mesmo tempo aumentar o engajamento dos usuários nas postagens de familiares e amigos.

Na época o experimento foi feito em um número reduzido de pequenos países, como Guatemala, Bolívia, Eslováquia e Sri Lanka, que de cara perceberam uma queda na audiência de seus principais jornais online.

Agora, 3 meses depois, Mark Zuckerberg veio a público para dizer que os resultados foram positivos para a empresa e que de hoje em diante esta será a distribuição de conteúdo padrão do Facebook. Algo que pode impactar drasticamente os resultados do seu negócio na internet, caso ele não esteja preparado.

Criação de conteúdo relevante e compartilhável

Um ponto que devemos deixar claro por aqui é que aquelas empresas que nunca se preocuparam em produzir conteúdo relevante para os seus seguidores com certeza já tinham uma performance bem fraca na rede antes mesmo desta nova atualização do Facebook.

De acordo com diversos estudos, incluindo este produzido por Ashwini Nadkarni e Stefan G. Hofmann, da Universidade de Boston, o que leva as pessoas a acessarem as redes sociais é uma combinação entre a necessidade de pertencimento — que tem a ver com fatores demográficos e culturais — e a necessidade de auto-apresentação —ligado à autoestima e ao ego. Ou seja: ninguém entra ali no ~face ~ para ficar recebendo aviso de promoção o tempo todo.

Mas então que tipo de conteúdo os seguidores esperam encontrar das empresas nas redes sociais? Pois um relatório publicado pelo The New York Times alguns anos atrás chegou a apontar quais eram os tipos de postagens mais compartilhados dentro do seu extenso público. Seriam eles:

  • Temas que encorajam uma ação ou a mudança de uma opinião
  • Algo que defina o próprio seguidor para os outros
  • Temas que nutram o relacionamento entre os seguidores
  • Postagens que façam com que o usuário se sinta mais envolvido com o mundo
  • Conteúdos que ajudem a divulgar uma causa que o seguidor também esteja envolvido

Já falamos por aqui outro dia a respeito da importância de não transformar o seu conteúdo em uma mera commodity, e agora, com essa nova mudança do Facebook, essa dica parece ser ainda mais importante.

Impulsionamento correto

Desde 2009, quando o Facebook introduziu a versão self-service da sua plataforma de venda de anúncios, o alcance orgânico — sem impulsionamento pago — das fanpages foi despencando drasticamente mês após mês.

Só para se ter uma ideia, quando o sistema de publicidade foi criado, o alcance das páginas era de cerca de 35% dos seguidores. Em 2014 esta porcentagem já estava abaixo de 10% e hoje quando alcançamos 2% dos seguidores já é um bom resultado.

O declínio do alcance orgânico do Facebook (entre 2012 e 2014)

Essa queda dos resultados orgânicos e a facilidade em de se impulsionar uma postagem fez com que muita gente se arriscasse na compra de espaço publicitário na rede social de forma amadora. Aquele tipo de decisão que não costuma dar muito certo.

Se você acessar a página facebook.com/ads/preferences poderá ver a quantidade de informações que a rede captura do seu perfil e imaginar como tudo isso influencia na publicidade dali. Portanto, criar um bom impulsionamento de postagens envolve entender como todos esses dados (e não apenas um ou outro) impactam na entrega de posts e banners para os usuários.

Captura orgânica de seguidores

A gente sabe que é legal ter uma fanpage com milhares (ou até milhões) de seguidores. Ter aquele mundaréu de gente seguindo a nossa marca no Facebook. Só que não vale a pena pagar para ter só isso.

Mesmo que as novas regras do Facebook diminuam o alcance das fanpages, se o seu público não for composto de seguidores orgânicos, que chegaram por interesse na empresa, é possível que você mais tarde tenha alguns problemas.

Veja só:

  • EdgeRank: os algoritmos das redes sociais costumam monitorar o engajamento dos seguidores com os posts para aumentar ou diminuir o alcance deles. Logo, se o seu público não curte e nem compartilha o conteúdo, fica bem difícil de ter algum resultado orgânico.
  • Credibilidade: então sua fanpage tem 1 milhão de seguidores, mas cada postagem tem 2 ou 3 likes? Bem, isso não deve passar muita credibilidade para os novos fãs e nem para os seus possíveis parceiros comerciais.
  • Entendimento do próprio negócio: se você não sabe qual é o verdadeiro comportamento da sua base de fãs com a marca, como propor alguma ação por ali?

Desbrave o mundo de fora dos jardins fechados

Facebook: o maior Jardim fechado da internet

Redes sociais que funcionam como o Facebook são conhecidas como Walled Gardens (Jardins Fechados) que só entregam o seu conteúdo completo para assinantes do serviço. E, apesar de muita gente passar boa parte do seu tempo nesses jardins — já existe toda uma geração de usuários que acredita que o Facebook é a internet — a verdade é que existe muito mais da web fora deles.

Por segundo são feitas mais 40 mil pesquisas atrás dos resultados do Google, que não é um jardim fechado e tem tantos acessos diários quanto o Facebook.

Outras redes sociais como o Twitter, Instagram e Linkedin também tem seus milhões de seguidores e conteúdos focados para aquele meio.

Com tudo isso em mente, saiba que uma das maneiras da sua fanpage sobreviver às mudanças do Facebook é explorar o mundo fora desse grande jardim fechado e não depender apenas dele para atrair seguidores e clientes para o seu negócio.