The Fall of the House of Usher — Edgar Allan Poe (brevíssima análise)

A constância que existe nos contos de Poe em relação aos seus desfechos não possui qualquer defeito ou incômodo naquele que a percebe, uma vez que a qualidade destes é indelével. Um final que não só desapercebe os terrenos do normal como também é um ode ao desassossego eterno do homem em frente ao não esquadrinhável e à matéria que tão facilmente escorrega dos dedos.

Apesar de não pertencer aos meus contos favoritos do autor, A Queda da Casa de Usher não perde seu caminho na fanfarra do terror particular de Poe. O descaso de Rodrick Usher para com a sanidade perturba nosso protagonista, mas não tanto quanto o ar irrealmente depressivo que a anciã Casa da família Usher materializa em seu entorno. A moléstia da desnaturalidade enferma a Casa de Usher (tanto o imóvel quanto a família).

As descrições desumildes na prosa de Poe assumem sua totalidade nesse conto, ambientando-nos adequadamente à situação e ao espaço onde esta ocorre, para retratar o mais fidedignamente possível a atmosfera tenebrosa do caso do homem que visita seu amigo de infância em um ambiente pesadamente opressivo. Essa opressividade, porém, não é de morada terrena, e sim um diálogo de forças externas e indizíveis. Esse fascínio pelo desconhecido e como ele opera perpassou para escritores que por sua escrita foram influenciados, sendo mais acentuado nos sulcos ocultos dos ditos de H. P. Lovecraft.

A Queda da Casa de Usher é uma pincelada violenta de Poe no seu cadavérico quadro gótico.

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