A visão além dos discos

Ao levar minha irmã mais nova e as amigas à Galeria do Rock para comprar discos de vinil para sua coleção, tive uma experiência que não esperava ter. Minha percepção foi muito além dos discos na minha frente, observei e refleti durante meu caminho sobre o cotidiano das pessoas que passavam pelo Centro de São Paulo e com isso fiz a seguinte reflexão:

Pelos meus olhos mergulhei na observação, vi o que ninguém viu na rotina exaustiva e robótica ou acredito que nunca tenham visto. Pelos meus olhos, vi as pessoas andando na rua como se ela fosse um objeto, como simplesmente um meio de transporte, do qual obrigatoriamente tenho que passar para chegar no meu destino. Pelos meus olhos vi as pessoas olhando para o chão, ou para aquela coleira virtual que chamam de celular. Pelos meus olhos vi a massa se movimentando loucamente como robôs para chegar a tempo no trabalho, vendendo mercadorias para poder jantar ou simplesmente utilizando as árvores como varal para secarem suas roupas. Pelos meus olhos vi a rua como meio de passagem, como casa e como trabalho. A rua com alguma função mas não sendo desfrutada por inteiro, aproveitada e observada em detalhes os quais ninguém vê. Pelos meus olhos vi o indivíduo fazendo de seu mundo privado o seu universo, vi a experiência sendo engolida e substituída pela obrigação, pela rotina robótica. Pelos meus olhos vi lugares cheios de almas vazias os quais a ganância vibra e a vaidade excita. A vaidade, amiga do peito da estética, da busca de um olhar, de uma aprovação. Vaidade e individualismo os quais fazem com que em um jogo, a massa perca seu sentido social da presença do seu corpo para o jogador mais fraco e vazio, a estética. Pelos meus olhos, vi que São Paulo é um buquê, com vários tipos de flores.

Observando o diversificado cotidiano de nossa metrópole, vi que a rua além de suas diversas funções, é paisagem. Paisagem para quem vê, quem disfruta por inteiro, paisagem é a acumulação de tempos desiguais e estes tempos são respectivamente de cada um, de cada cabeça, de cada ser humano, de cada homem, de cada mulher, de cada homosexual, de cada criança, de cada adulto, de cada indivíduo, de cada interioridade própria. Pelos meus olhos, percebi a obsessão infinita pelo tempo, tempo o qual não é suficiente para cumprir minhas obrigações diárias.

Passagem : ato de passar. Significado o qual na nossa metrópole é realizado pelo turbilhão de gente as quais levam com si o seu mundo privado. Passam despercebido, os olhares se cruzam mas não são interpretados. No ato de passar não se preocupam em saber qual é a história do outro ou simplesmente para onde ele está indo ou até mesmo, se aquela pessoa está feliz ou triste, pela passagem os olhares se cruzam mas não se interpretam e a empatia mais uma vez, perde o seu significado. Observando o cotidiano e a multidão posso dizer: não existe amor em SP.

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