Ao redor do globo e de mim mesma

Como um período de poucos meses mudou meu jeito de ser.

A tarefa era descrever uma experiência estética, mas uma única situação não seria o suficiente para descrever o que tenho pra contar. O máximo que posso resumir é o período de 10 meses: de novembro de 2015 a agosto de 2016. Pode parecer um longo período, mas hoje, olhando para o passado, percebo que se apagasse um momento sequer deste período eu não seria eu mesma.

Tudo começou no dia 8 de novembro de 2015. Meu primeiro porre. Foi um momento de desabafo. Enquanto chorava e dizia coisas sem sentido para outras pessoas, eu finalmente conseguia entender alguns dos motivos de ser como sou. A verdade é que quando estamos bêbados, dizemos e fazemos coisas que estavam presas no nosso interior, porque por alguns poucos minutos as portas se abrem sem que a nossa consciência tranque a porta outra vez.

Depois disso minha vida mudou completamente. Não que os fatos ocorridos posteriormente tenham qualquer ligação com o porre deste dia, mas acho que o destino olhou pra mim e simplesmente disse: “Agora vai, é hora de encarar a vida com outros olhos”.

Já no dia seguinte, por um impulso não pensado, um beijo aconteceu. Isso sim afetou os acontecimentos a seguir de alguma forma, já que o cara que beijei tornou-se meu namorado.

Terminei o ensino médio. Surtei com medo. Me mudei… não de jeito, de país. Morei com meus padrinhos… Tarefa difícil. Não por falta de amor ou algo parecido, mas por ser uma mudança total de rotina e família.

Comecei os estudos lá. Fiz amigos. Decidi coisas por impulso. Aprendi a andar sem as rodinhas da minha bicicleta… no sentido literal e no metafórico. Namorei a distância. Era muito nova pra sair com meus amigos. Passava os finais de semana na pipoca e netflix. Terminei o período que poderia estudar lá. Voltei para o Brasil.

Um mês. Só um mês pra poder matar a saudade de todos e vou embora. Vi meus amigos. Vi minha família. Cuidei da minha saúde. Atingi a maturidade. Parti para a Europa. Sozinha.

Cheguei lá. Sozinha. Fui posta em uma casa completa de estranhos. Conheci a cidade. Tive que aprender a me virar sozinha. Comecei cursos e terminei cursos. Caminhei com meus próprios pés por alguns momentos e a experiência da solidão moldou muito o meu SER de hoje em dia.

Viajei por muitos lugares, desta vez com a companhia da minha irmã. Conheci lugares que nunca imaginava conhecer e os lugares que mais sonhava em ver apareceram em minha frente. Lugares. Pessoas. Coisas. Mais lugares. Acabou, hora de voltar pra casa.

Casa. Finalmente. Família. E foi neste ambiente que fui obrigada pelo destino a lidar com um de meus maiores traumas pela pele de outra pessoa. A apoiei, mas sofri, pois de alguma forma sentia que tudo aquilo era culpa minha por precisar vivenciar mais uma vez o passado sob outra perspectiva.

Aula. Já. O resultado de uma das decisões impulsivas que tomei anteriormente chegou. Hora de ir pra faculdade. Mas isso faz parte de outra história…

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