Pelos olhos de um animal

No ano de 2010 eu e minha família fizemos uma das viagens mais incríveis da minha vida, fomos para a África do Sul, lugar maravilhoso e indescritível. Se eu pudesse descreveria mais de cem experiências estéticas que tive naquele país, mas uma em especial merece ser contada. Estávamos em Cape town no hotel e descobrimos que existiam os passeios de lancha em alto mar para mergulharmos com tubarões brancos. Meu irmão é louco por tubarões, logo, fomos todos sem pestanejar. Acordamos às cinco da manhã e pegamos uma van que demorou por volta de duas horas para chegar no cais aonde a lancha que nos levaria estava abordada. Na embarcação a maioria dos integrantes eram jovens e adolescentes não muitos adultos. Após mais duas horas no barco chegamos ao mar aberto. Eu sinceramente estava apavorado pois o barco não era exatamente seguro ao meu ver, não tinha grades ou proteções, tinha um aspecto de bem antigo e estávamos no meio de tubarões brancos, ou seja, se você caísse você morria devorado no mesmo minuto.

Para atrair os tubarões os instrutores do barco jogavam sangue e pedaços grandes de peixe, esses predadores sentem o cheiro de sangue a quilômetros de distância e são incrivelmente rápidos, em quinze minutos estávamos cercados de animais imensos, o mergulho acontecia da seguinte maneira, existia uma gaiola que ficava com uma metade submersa dentro d’água e a outra não, entravam quatro pessoas de cada vez e os instrutores ficavam com varas de pescar enormes com os peixes na pendurados para ficar atraindo o animal em nossa direção, quando coloquei a roupa de mergulho para entrar comecei a sentir um pânico indescritível, mas mesmo assim sabia que não podia perder aquela aventura de jeito nenhum. Entrei naquela água congelante e submergi para ver se conseguia ver algo e vi, um tubarão de mais de quatro metros vindo em minha direção e batendo a cabeça na jaula em que nós estávamos, era muito rápido, eu olhava para a direita e via ele e em dois segundos olhava para baixo e via o mesmo tubarão só que muito distante de onde ele estava a primeira vez, esses predadores são muito difíceis de se ver dentro do mar pois eles se camuflam facilmente, se olhá-los de baixo eles se camuflam com a superfície da água com o sol e se olhá-los de cima eles são mais acinzentados como o fundo. Me senti um peixe indefeso, um ser completamente vulnerável, na verdade isso foi dito para o meu pai pelo instrutor após ele ter feito uma brincadeirinha de colocar a mão para fora da jaula, quando via o tamanho da boca e dos dentes daquele animal comendo os peixes da isca em uma bocada só ficava incrédulo, consegui pela primeira vez adentrar o habitat natural deles, me senti totalmente imerso no mundo animal aquático, foi muito interessante, sentindo aquele frio congelante que era resultado da temperatura da água, o cheiro de peixe misturado com sangue e vendo o animal, foi um dos momentos mais gratificantes e aterrorizantes da minha vida.

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