A Jornada de Joriel — Resenha


Em fase de testes, começamos um experimento de elaborar textos baseados nas nossas vídeo-resenhas. Assim, se você não tem lááá muita paciência pra nos ver balbuciando e esquecendo nomes, pode nos acompanhar aqui. ;)

O João Torres, ou JJ Torres, me procurou com a sua HQ A Jornada de Jorel, que você pode ver aqui. A história principal é precedida por cinco mini-capítulos, chamados de “Prólogo”, que são como micro-contos que tocam em pontos tangenciais ao início da HQ principal, e têm tamanhos diferentes entre si. Gosto de como eles se cruzam entre si e com a HQ principal, às vezes de maneira mais sutil e colateral, às vezes mais diretamente e explicando alguns aspectos da história. Destes, gostei especialmente do quatro, A Cabeça da Medusa, embora esteja curiosa sobre como aquele artefato conseguiu chegar ali.

Logo de cara deu para perceber que João usa métodos tradicionais para compor seus quadros, e embora eu aprecie muito webcomics e a mídia digital de maneira geral, é renovador ver métodos tradicionais sendo bem utilizados. A composição visual têm um quê de quadrinho europeu, o que pode contar positivamente para os apreciadores do gênero. É possível ver ideias bem autorais na composição dos espaços, mas também pude sentir referências a obras como Star Wars e Star Trek.

A tripulação de uma nave alienígena aterrissa de modo violento na Terra, e são recebidos, de maneira pouco surpreendente, com violência. Todos têm noção da importância de sua viagem, e lastimam que tenham parado no “pior planeta desse setor”. O tropo de revanche e resistência dos terráqueos a tentativas de contato por raças extraplanetárias não é realmente novidade na ficção científica, e, provavelmente por isso mesmo, é uma ideia tão acurada. Seguindo o ponto de vista dos viajantes, JJ Torres não deixa claro o que teria acontecido com a civilização humana, apenas deixa-nos perceber genericamente que o egoísmo e a incapacidade de ver o outro tornou a nossa sociedade um lugar bem hostil.

Os diálogos, não raramente, parecem pouco naturais, um tanto travados entre os personagens, o que pode atrapalhar o sentido de verossimilhança. Por vezes os personagens são excessivos sem suas falas, como se tentassem explicar ou introduzir elementos de um cenário diferente. Sinto que o ideal, nesses casos, é deixar que a história se explique de maneira mais natural, usando os recursos narrativos próprios do quadrinho — a composição de quadros, sua distribuição nas páginas, a representação dos cenários e equipamentos, etc.

É uma HQ com potencial, especialmente para aqueles que apreciam a ficção científica, flertando com o Space Opera. Aguardemos os próximos capítulos.

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