Padawans, hoje começaremos uma série de artigos que, no fundo (e as vezes não tão no fundo), trataram de um único tema. Masculinidade. Não esperem textos machistas ou voltados apenas para o público masculino. Ao contrário, acho que será de extrema ajuda para que as mulheres conheçam mais profundamente os homens que fazem parte de sua vida.
Mas por que falar sobre masculinidade? Bem, há esta altura já é óbvio para todos que este conceito (masculinidade) se perdeu no tempo/espaço (reparem nas piadinhas sci-fi) e precisa ser urgentemente resgatado pelo bem dos relacionamentos e pelo bem do mundo como um todo.
Não vou cair na tentação de definir masculinidade por alguns motivos que citarei:
1. É uma tarefa gigantesca que não sei se está dentro de minhas capacidades;
2. Só se aprende a ser homem sendo um e convivendo com outros;
3. A medida que conversarmos chegaremos juntos a um entendimento mais profundo disso.

O conceito de masculinidade se perdeu. É um fato. Hoje temos adultos que são eternos meninos, que não saíram emocionalmente de uma condição infantil e não estão preparados para agir e pensar como homens. É muito fácil reconhecer este tipo de adulto uma vez que ele está preocupado com todas as externalidades como a forma de se vestir, o tom de voz, as mulheres com quem se relaciona, as músicas que ouve, o carro que dirige, o time que torce, etc. Entretanto, por dentro, não há nenhum sinal de vida adulta como saber priorizar, assumir responsabilidades, trabalhar seriamente, comprometimento e compromisso, etc.
Já discutimos o relativismo e você certamente já fez a ligação dele com o desaparecimento do conceito de masculidade. Certo? Claro que sim, uma vez que tudo é relativo eu posso me portar como eu quero, posso viver no sofá até meus 45 anos jogando games e pouco me lixando para a mulher e as crianças que estão ao meu lado. Eu posso mandar aquele chefe chato e aquele emprego às favas uma vez que eu estou sempre com a razão e os outros não me entendem. Eu sou o que sou.
É preciso recuperar o senso de masculinidade urgentemente. O mundo (e as mulheres) precisam de homens capazes de se comprometer, homens que não tenham medo de trabalho duro, homens que saibam ser carinhosos sem ser melosos, homens que saibam atribuir importância as coisas, homens que cultivem as virtudes essenciais (olha aí o encadeamento dos nossos textos), homens que sejam humildes diante de desafios, mas que sejam firmes para enfrenta-los. Enfim, o mundo precisa de homens. Por que o que esta geração de “homens” têm feito com este mundo nós estamos vendo bem.
Lembro-me de uma pequena história da minha infância. Eu estava sentado no chão do meu quarto meu irmão e meu pai. Brincávamos de forte apache. Os índios, é claro, haviam dominado o forte e a cavalaria estava chegando para libertá-lo (vamos evitar aqui o blá, blá, blá cansativamente politicamente correto, ok?). Quando restava apenas um número reduzido de índios eu gritei: “Homens, não façamos prisioneiros!”, meu pai sorriu e me interrompeu dizendo: “Meu filho. Homens, mas homens de verdade são capazes de lutar por algo que acreditam com todas forças e até mesmo matar se for preciso para proteger aqueles a quem amam, mas homens de verdade também sabem ser generosos na vitória e perdoar aos que o trataram de forma errada”. Naquela noite alguns índios foram feitos prisioneiros.
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