Crônicas de uma garota confusa

Eu cansei.

As pessoas em geral fizeram muito estardalhaço em cima do caso de Hannah Baker. Porque, sim, era um caso como muitos que não recebem tanto conhecimento, atenção, e envolvimento psicológico dos cidadãos do mundo. Sim, era uma série. Mas também era uma pessoa, que tirou a própria vida porque estava cansada.

Quando assisti a vida de Hannah Baker, não consegui me colocar no lugar dela. Não consegui sentir aquilo que ela sentiu. É claro que, como muita gente, eu filosofei sobre a vida e disse que aquele tipo de coisa devia ser foda, e devia ser evitada a todo custo. Hoje, infelizmente, eu sinto o que ela sentiu. Ou algo que eu acho que foi o que ela sentiu, porque a gente nunca vai saber exatamente o que cada um pensa.

Eu sinto que posso segurar toda a minha vida dentro de um pote de vidro, e os meus atos, e os atos dos outros que pesam sobre mim têm cores frias e quentes. As cores escuras, frias, têm predominância quase total. E eu não sei o que fazer.


É interessante como todo mundo, após um pouco de conhecimento e sensibilidade, falam que ninguém entende uma pessoa com transtornos mentais — ansiedade, pânico, TOC, bipolaridade, etc. — mas, assim que surge alguém assim diante delas, e que lhes causa algum desconforto, apenas o que sabem fazer é julgar. E elas julgam sem dó.

E aí, como que para aliviar as duras penas do que sentem, porque alguns — eu tento acreditar — tem um peso no coração, fazem posts sobre a moral de cuidar de pessoas doentes.

E eu bem sei que na verdade é doente.

Mas na real, eu sou só a doida que antes achava ser forte pra tudo, que enfrentaria o mundo, mas aí eu sou só a guria de bondade caótica, onde eu até consigo pensar em todo mundo, mas as burocracias alheias não permitem atitude alguma. Acredito eu que as burocracias também impedem os outros de agir por mim.