Capítulo 2
Eu e Ele
Eu estaria mentindo se dissesse que não estava ansioso por meu encontro com Logan. Antes de eu ir embora naquele dia na casa de seu pai, eu havia lhe dado meu número de celular e, como meu pai estava com pressa para ir embora, não consegui pegar o número dele, então apenas fiquei na expectativa. Toda vez que meu celular tocava, era apenas Sarah, me deixando atualizado sobre sua vida amorosa (porque era basicamente pelo que ela vivia: garotos). Não conseguia não ficar feliz por ela finalmente estar namorando alguém legal.
Às terças-feiras eu trabalhava numa loja de conveniência em um posto e, quando não havia ninguém por perto, gostava de ficar lendo revistas sobre cinema; não que eu tivesse vergonha, mas porque não havia barulho. Mesmo quando algumas pessoas entravam eu não parava de ler até que parassem a minha frente para pagarem. Acho que seria mentira se eu dissesse que não esperava que entrasse alguém bonito e que me olhasse de um jeito diferente. Porém, dificilmente entrava alguém que realmente parecesse interessante. Por alguma razão, um dia, Logan entrou na loja, indo diretamente mais para o fundo, onde estavam as bebidas. Ele estava apenas com um short preto e um tênis. Apenas isso. Nada de blusa. Foi difícil não olhá-lo de uma forma um pouco diferente da de dois dias atrás.
Ele voltou, andando rapidamente, segurando uma garrafa d’água em uma das mãos e uma nota verde na outra que, apenas não me entregou pois viu quem eu era. Eu gelei um pouco, mas consegui olhá-lo nos olhos com sucesso. Ele levantou as sobrancelhas em sinal de surpresa e deu um sorriso. Tirou os dois fones e segurou com a mesma mão em que segurava a nota de dinheiro.
- Thomas — ele disse entre respirações rápidas. Ele tinha um tanquinho admirável e pelo pela barriga e no peito. Eu não tinha reparado no domingo, mas ele tinha braços fortes. Dei um sorriso tímido para ele. — Que bom te ver! Me desculpe por não ter te ligado. Eu estava muito ocupado.
- Está tudo bem… não esperava que ligasse tão rapidamente — eu falei baixando minha voz.
- Talvez pudéssemos sair para jantar hoje… se quiser. — Ele estreitou os olhos, parecendo um pouco preocupado; talvez que eu fosse recusar, mas era algo meio impossível de se acontecer. — Um restaurante de sua escolha. Seu favorito…?
- Eu não janto fora faz muito tempo.
- Tudo bem. Eu te passo uma mensagem mais tarde. Tudo bem?
Assinto com a cabeça e ele deixa a nota no balcão e leva a garrafa consigo. Não consigo deixar de sorrir, mesmo que ele não tivesse dito nada que significasse algo real. Não queria ser taxado como tapado por mim mesmo, então comecei a acreditar que ele estava afim de mim mesmo. Se Sarah estivesse ouvindo meus pensamentos, diria que sou burro por não ver o óbvio (ela sempre diz isso para suas amigas).
Mais tarde, quando estava em casa deitado em casa, vendo um filme na TV, recebi uma mensagem em meu celular, e era dele. “Às sete está bom?”, dizia. Respondi rapidamente com um “tudo bem. Onde vamos nos encontrar?”. Ele respondeu que poderia me encontrar num bar e então nos levaria de carro até o restaurante que ele havia escolhido. Eu me levantei do sofá tão rapidamente que acabei assustando minha mãe, mas pedi desculpas e subi as escadas para tomar um banho.
Eu fui caminhando até o bar. No caminho, andando rapidamente, tentava escrever uma mensagem para Sarah sem bater nas pessoas que vinham na direção contrária. Óbvio, eu pedia desculpas às pessoas que eu esbarrava. Em mais ou menos cinco minutos andando, cheguei ao bar, onde muita gente bebia cerveja apenas por diversão — ou assim parecia. Esperei por Logan do lado de fora, ainda mandando mensagens para Sarah. Eu praticamente podia ouvi-la gritando em êxtase ao meu ouvido por eu estar finalmente perto de arrumar um namorado; coisa que ela tentava desde que contei a ela que não gostava de garotas.
- Pronto? — ouvi a voz de Logan ao meu lado. Me virei um pouco surpreso, mas logo assenti. Logan estava tão charmoso que fiquei pensando o tempo todo enquanto estava em seu carro (um Volvo branco) que eu deveria voltar para casa e trocar de roupa. Quando ele me perguntou o que eu estava pensando, eu disse exatamente o que eu estava pensando e ele apenas riu, o que provavelmente me deixou vermelho; só não sei se fiquei com raiva dele, ou com vergonha. — Acho que não vai precisar se preocupar com isso. Você ficaria com raiva de mim se eu dissesse que não estamos indo a um restaurante chique? — Olhei para ele com uma sobrancelha levantada. — Eu estou te levando a um outro lugar.
- Tudo bem. Só espero que você nãos seja um assassino.
- Não se preocupe. Não sou. — Ele sorriu.
Quando ele parou em frente a uma casa, pensei em milhares de coisas de uma vez: ele rouba para viver; rouba coisas caras com o pai, por isso são ricos. Quero dizer, o pai é rico. Não sei quanto a ele. Mas quando saímos do carro e ele tirou a chave da casa do bolso, me senti muito aliviado. Era apenas a sua casa.
Estávamos jantando o que ele havia preparado sozinho — foi o que ele disse — e conversando sobre todas as coisas que eram de nosso interesse. Eu estava praticamente caindo em cima dele apenas pelo modo como ele falava, e como seu sorriso se formava no rosto.
Ele me contou que veio da Grécia quando era mais novo com o pai dele após a mãe e o padrasto morrerem; contou como o padrasto tinha deixado muito dinheiro — milhões! — para a mãe dele, achando que ele próprio iria morrer primeiro. Mas ela então morreu de alguma doença (Logan não quis saber qual) e o padrasto dele deixou todo o dinheiro para ele, e então se matou. Logan ficou um pouco triste contando aquilo para mim, mesmo que tivesse acontecido há muito tempo.
- Eu poderia comprar praticamente o que você quisesse — ele disse sorrindo.
- Eu acho que dinheiro não é o principal fator a ser realmente considerado — eu falei me endireitando. — Não que eu vá namorar um mendigo, mas não faço questão de que o cara seja… tipo você…
- Lindo, você quer dizer? — ele sorriu mais e eu desviei o olhar, sorrindo. — Eu entendo. Tem algo a dizer para me impedir de te beijar?
- Não — falei tão baixo que pareceu um sussurro. Eu não estava mais sorrindo, pois ele estava se aproximando de mim e, por incrível que possa parecer, eu tinha dezessete anos e nunca tinha beijado ninguém.
Seus lábios foram de encontro aos meus tão suavemente que quase acreditei que aquilo era um sonho. Sua mão encostou na minha e por lá ficou. Ele colocou a outra a mão atrás de minha nuca e me empurrou um pouco mais contra ele. Eu não sabia se ele estava gostando, pois o máximo que eu sabia era o que eu via em filmes, e não era muito. Quando ele se afastou de mim, tive que respirar fundo — disfarçadamente — para recuperar o fôlego que ele havia roubado de mim. Ele ficou me olhando por um momento, estreitando os olhos e mordendo suavemente o lábio inferior. Ele se aproximou novamente, mas desta vez não me beijou; passou meus lábios, e os seus foram de encontro ao meu ouvido, sussurrando:
- Gostaria de fazer algo mais.
Ele retrocedeu um pouco e ficou me olhando, esperando por uma resposta minha. Aquele era nosso primeiro encontro e acho que não devíamos fazer aquilo tão cedo. Mas muita gente fazia isso em seu primeiro encontro, então era normal. Eu balancei minha cabeça lentamente, concordando com ele. Em alguns momentos, enquanto subia os degraus da escada até o seu quarto, pensei em minha inexperiência sexual, e como poderia me afetar ali. Mas Logan sabia que eu nunca tive experiência com aquilo… Ou pelo menos eu achava que ele sabia. De qualquer jeito, não poderia ser tão difícil.
Seu quarto era espaçoso e tinha aparência agradável. O chão era a mesma madeira amarronzada de todo o resto da casa. As paredes eram brancas, sem nenhuma sujeira aparente; provavelmente ninguém entrava ali a não ser ele (e agora eu). Sua cama era grande; espaçosa e alta, com cobertas desarrumadas sobre ela; fiquei imaginando se em algum dia ele arrumava a cama. Ao lado dela — aos dois lados — estavam estantes magras com livros grossos e finos. Não cheguei mais perto para ver os títulos, pois Logan ainda segurava uma de minhas mãos.
— Tem certeza que quer fazer isso? — perguntou num sussurro em meu ouvido, já me dando beijos pelo rosto, passando as duas mãos pela minha cintura e minha bunda. Estava me beijando na bochecha esquerda, e foi avançando até me beijar na boca novamente.
Eu não respondi, pois não precisei. Passei meus braços pelos ombros de Logan e agarrei meus dedos em suas costas. Ele me beijava com mais intensidade e me puxava mais para perto de si. Ele tirou minha blusa com rapidez e passou sua mão pela minha barriga, meus braços e, por fim, colocou as duas em meu rosto. Parou de me beijar para tirar a sua própria blusa, e permiti-me olhar para seu corpo bem… feito. Quero dizer, pelo que vi, ele fazia exercícios. Ele tirou os sapatos e logo tirou também a calça, e ficou apenas com sua cueca box branca. Seu pênis era bem avantajado, por assim dizer.
- Espera, Logan… — eu disse dando um sorriso de constrangimento. Ele me olhou um pouco confuso, mas esperou. Não parecia estar muito apressado e me penetrar (de qualquer forma). — Eu nunca fiz isso…
- Eu vou devagar. — Ele se aproximou novamente e me beijou. — Prometo tentar não te machucar.
Assenti lentamente e ele voltou a me beijar. Quando eu já estava sem a minha calça e minha cueca, eu estava deitado na cama e Logan estava por cima de mim, me penetrando lentamente enquanto me beijava. Uma de suas mãos tocava meu rosto com delicadeza, enquanto a outra passeava meu corpo com um pensamento de safadeza. Seu toque e todo o seu corpo exalava uma sensação que me deseja-lo ainda mais.
Quando terminamos, e Logan foi para o chuveiro, quase chorei pensando que eu havia feito besteira e que Logan nunca mais iria falar comigo, pois era apenas isso que ele queria. Mas, pior que tudo isso, foram os pensamentos que voltaram a minha mente antes de eu dormir, ou foi em sonho. Tudo o que vi, senti, pensei. Lembranças. De quando eu era menor, e eu me culpava por aquilo.
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