CONTAS ANTIGAS

Publicado em “Poeta de Gaveta Volume 23”, pela Prefeitura do Campus USP de Ribeirão Preto, disponível fisicamente e digitalmente.

você se pergunta como é
que pode tudo acabar
tão mal, mas
tão mal
de um jeito que
nem parece
que um dia
já foi
tão bom.

quando acaba, você olha
e tenta entender
o que diabos
aconteceu
você sabe bem que errou
como erra sempre
mas não foi por maldade
isso deve contar para alguma coisa,
não é?
mas não conta.

quantas vezes você não
machucou quem você mais ama
sem querer machucar, por que quem
iria,
deliberadamente,
machucar quem mais ama?

quantas vezes você não
teve a melhor das intenções
e teve, mesmo, a testemunha
é o seu coração
mas as coisas
em algum ponto
no meio do caminho
deram absurdamente erradas
e suas boas intenções
causaram uma boa porção de lágrimas?

você lá consegue
ao menos se lembrar
que maldita coisa você disse
você com essa sua
estúpida boca grande
na hora mais inadequada
possível, sem nem saber
que horas eram?

eu sei que você não quis mentir
mas esse sou só eu
testemunha do seu esforço
e bondade, pena que eu
não valho nada
como testemunha
o que todos vão dizer
é que você é um pilantra
sem-coração, ledo engano
você, um homem bom.

porém, ninguém se importa
com o que não vê
o que você sente
só é real
dentro de você.

por isso
faça as contas
sabe dizer quantas vezes
já fez, querendo não fazer,
alguém sofrer?
enquanto faz as contas,
te digo baixinho:
eu não saberia responder
aliás, acabei de fazer
de novo
sem ao menos saber
o porquê
também não sei
como consertar
por isso, escrevo
e pergunto a você.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.