impublicável.
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impublicável.

DOIS

Feito quem passa
por uma colisão na rodovia,
quem testemunha
o tsunami
tomados pelo medo, terror,
pelo fascínio do poderoso desconhecido,

assim eu subi até o seu andar
pela primeira vez

e tantas outras vezes
foram a primeira
quando tudo ainda era possível,
a taquicardia revelava
que caminhávamos
sobre a corda bamba
do medo e da coragem
que muito se assemelham
no reino das paixões.

Encontramos nosso lugar comum
entre tantos desencontros
e neste lugar comum
construímos algo resistente,
firme,
que a mim
muito lembra você -
uma casa em que os espelhos
não refletem apenas
os nossos reflexos.

O sossego como sucessor do medo,
a segurança como sucessora do desespero:

os acidentes e tsunamis
estão lá fora,
mas somos seguros
aqui.

Às vezes, você me diz,
sinto falta das ondas,
e o que eu posso responder?

Que elas continuam lá,
num mar sempre cheio,
só que nós
agora
navegamos a dois.

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ficção, não-ficção, prosa, poesia, os dois. a decisão é de quem escreve e aqui nada é revisado.

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