Domingo à noite

Numa noite de domingo sempre bate aquele tédio. Aquela ressaca mental. Ninguém gosta de domingos à noite. Isso é inegável, a pergunta é, o que tem domingo à noite que nos traz esse pesar? Por que nós só gostamos de nossos finais de semana, e nunca das nossas semanas? Nos meus tempos de internato, eu aprendi bem essa história de só esperar pelos finais de semana, pois sempre me senti preso. E estava. Hoje eu fico preso a minha própria rotina. Sem estar. A semana finge ser de sofrimento quando não deveria ser, a vida não deveria ser. Quanto tempo nós perdemos pedindo pro tempo passar mais rápido? Quanta vida perdemos torcendo pra que a vida chegue em um outro nível? Estamos no ensino médio querendo chegar logo na faculdade, na faculdade querendo chegar logo na formatura, somos profissionais buscando outro emprego. Somos futuros, nunca presentes. O ser humano é normalmente futuro. Quando temos a reflexão de que o hoje ficou pra trás, tomamos um choque. Deixamos de nos preocupar com o nosso presente, pra nos preocuparmos com um futuro que nunca chega. O amanhã carrega uma carga espiritual mais forte do que tudo. O amanhã se tornou nosso presente, passado e futuro, quando deveria ser somente mais um dia. A reflexão não tem por interesse desqualificar a busca pelo futuro, e sim saber que existe um presente, e ele deve ser vivido. O presente da vida é um presente, não podemos deixar ele de lado por toda a nossa existência. Então, resumindo, que tal tentar ser feliz no domingo à noite?

