Elegia à primavera de nós

*

“A flor é o botão ao contrário”
Alguém me disse
Qualquer dia desses
E guardei como quem guarda
O último suspiro da madrugada
Para usar outras vezes.

Não estou convencida de nada
Mas é que a verdade vem
Quando estou preparada
E quando a flor me convém.

Quem me dera eu fosse assim
De simples manejo e poda:
Quando você não pode comigo
Lhe deixo triste e afoita.

Não fique assim:
Minha tristeza melhora,
Eu digo e te estendo uma mão
De pólen e pólvora.

(Eu te avisei que sou agridoce.)

Deito no colo da relva
Para pensar, e desabo;
Meu medo me cabe
Onde eu mal caibo.

Mas quando te mostro as pétalas
E te acaricio as têmporas
Você logo recobra que sou
Uma flor que foi e voltou.

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