LEVA TUDO

Você abriu a porta como se ainda tivesse as chaves e as novas fechaduras fossem as mesmas de quando você ignorou a nossa casa.Deitou na cama nova se fazendo de íntimo dos meus lençóis caros, dos meus travesseiros fofos, do edredom vermelho que eu sempre quis.
Usou o chuveiro para lavar o corpo que excitava minhas noites solitárias e encheu o quarto de um vapor que me fez transpirar. Limpei rápido do rosto as gotas de uma transpiração inconveniente, não queria que você sentisse o cheiro ruim da minha insegurança.
Te abracei do jeito mais aconchegante que pude, com os braços mais macios que consegui forjar.Tentei fazer com que seus olhos ficassem fechados para que você não visse encostada à porta a Verdade que nos olhava com olhos de fera e boca faminta, pronta para devorar as nossas cabeças, os dois, os mentirosos.

O poder dela foi mais forte do que eu.
Não precisávamos mais nos alimentar de um amor com data de validade vencida e o gosto podre da desilusão.
Custaria pouco saber a hora de parar.Pena que nos atrasamos.
Riram da nossa volta,das minhas promessas, nossas conversas.Duvidaram do nosso recomeço, do meu perdão, da sua maturidade: pessoas que não nos conheciam de verdade nunca nos conheceram tão bem.
Juro que tentei. Juro que queria que você ficasse.
Só que eu não podia mais te amar.
 DéboraSConsiglio

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