Meu nome é

Sako-asko

esquecimento por todas as mortes em vão
lamento por todos os sacrifícios esquecidos
grito por todas as bocas caladas
susto por todos os ais contidos

meu nome é solidão
meu nome é apatia
meu nome não é Adão
não fui um dos primeiros
não tenho no céu o meu bom-dia
meu nome não é Deus
não serei um dos últimos
não poderei gritar, “oh céus”
nem expor minhas lástimas
estarei no meio de todos
e, ao mesmo tempo
sozinho
o meu nome é tempo
que escorre da ampulheta
o meu nome é sopro
que na sua boca venta

meu nome é orgulho
por ser um soldado abatido
meu nome é mergulho
de um suicida deprimido
meu nome é história
rasgada e queimada
meu nome é escória
esquecida e destratada
meu nome é abuso
de uma casa sem gente
meu nome é intruso
de um corpo sem mente

meu nome é
abatimento de um coração
sofrimento nunca superado
grito nunca calado
susto sempre desesperado

meu nome é solidão
de uma mão que bate
e sempre diz não
em uma boca que grita
meu nome é paixão