Miscommunication

III

Aquele verão tinha sido o último em que o sol lhe vinha gracejar com seu brilho. A perseguição religiosa se afunilando. chegaram notícias de que os protestantes estavam sendo perseguidos e guerras estavam se esquadrinhando. pela ganância de uns poucos, a liberdade de crer estava sendo levada junto com sangue dos inocentes. não demorou muito tempo para que em missão seu pai partisse para a guerra. alguns irmãos de fora estavam em dificuldades. era hora de se unir. Nunca chegou carta com aviso fúnebre. a tristeza alvoreceu nos olhos de Jozephine, torando de suas retinas sua morada. Era por volta de 1618 quando as esperanças se perderam todas. seu pai partiu para não voltar. com a paz no coração de quem lutava a guerra dos justos. sem nem desconfiar das artimanhas sujas arquitetadas nos bastidores do poder. porque o homem que crê de todo seu coração e aceita lutar por uma batalha não sua sequer consegue enxergar as linhas que o prendem. quanto mais o movimento de seu corpo orquestrado pelo interesse de alguns soberbos. houve escuridão. tempos nefastos. de angústia e desgosto, Anne, mãe de Jozephine, morreu à beira da doença, às vésperas de alcançar o novo mundo. Com a ausência de seu pai e com a mãe debilitada, Jozephine se viu forçada a tomar as rédeas da família, cuidar de seus irmãos, até que conheceu Lionnel em uma salinha de oração. tudo estava preparado. Era outono de 1620 quando os preparativos para a saída dos peregrinos estavam a todo o vapor. A família de Lionnel havia decidido largar a Inglaterra em busca de um recomeço em terras estrangeiras. Tudo estava pronto. os lugares eram contados, cada família sabia exatamente a que propósito se dispunha. sem forças, Jozephine ouviu falar sobre um movimento de oração que acontecia às escondidas na casa de uma irmã bondosa que também iria partir com o Mayflower. seu coração por muitas vezes se estreitou querendo partir também, mas sem o pai não tinham condições de começar uma nova vida em outras terras, pois ali todos se convergiam no mesmo propósito. não cabia algo que não fosse aquilo. sem contar que a mãe doente não iria suportar uma viagem tão longa, tampouco as três crianças. mas foi nessa salinha de oração de Lionnel depositou seus olhos em Jozephine e a visão o agradou. Faltava menos de uma semana para a embarcação seguir seu rumo. nenhum número a mais, nenhum número a menos. o coração de Lionnel se alegrou e veio a proposta. uma prima havia falecido de doença contagiosa. sobrava um lugar no barco. se ela não viria como sua esposa. a angústia tomou o coração daquela pobre menina que nem teve tempo de se descobrir mulher, porque a vida o fez apressadamente por ela. como ficariam seus irmãozinhos? ela não os podia deixar ao relento, ainda mais agora que sua mãe morrera. mas as promessas de buscá-los assim que chegassem, o sonho de uma vida nova, o cheiro de um futuro menos miserável, fizeram com que ela aceitasse a proposta do moço que possuía boas intenções.
- Você não se cansa dessas histórias tão velhas, menina? Ela me perguntou em tom de descrença.
Deus sabe quanto isso é que me mantém aqui, eu disse…

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