Nazaré Negra da Alma

Tiago da Silva
Mar 19, 2018 · 2 min read

Tem dias em que não consigo escrever. Não porque não me ocorra nada, mas porque me ocorrem coisas demais. Mais do que posso processar.

As ideias passam rápido demais e não consigo acompanhá-las, capturá-las.

É como se eu estivesse me afogando num mar de pensamentos e não conseguisse me segurar a nada. Tudo é turbilhão, redemoinho. São muitas toneladas desabando sobre mim, me esmagando, tentando me empurrar para o fundo — de onde?

As horas passam e não consigo fazer nada de concreto, tento apenas me manter à tona a cada nova onda de divagações que se sobrepõem umas às outras.

Também não é possível ler ou se concentrar de qualquer forma.

Luto apenas para manter a cabeça sobre a espessa espuma de sentimentos, desejos, dúvidas e ímpetos que arrebentam contra as rochas do tempo. E respirar, quando consigo.

É uma tarefa muito difícil selecionar pensamentos e focar em qualquer coisa, ficar à tona. Em alguns dias. Como hoje. Dias de Nazaré Negra.

O título é uma alusão às ondas de Nazaré, na Praia do Norte em Portugal, que em determinadas condições atmosféricas se tornam imprevisíveis e violentas, atingindo mais de 30 metros de altura e recebendo o nome de Black Naza, uma lenda entre os surfistas do mundo todo.

Eu não sei se me fiz entender. Se fez sentido pra ti, me faça saber.

ficção e não-ficção sem explicação, sem censura, sem reparos, sem cortes. as regras, os ensinamentos, as listas de como ser um bom escritor ficaram de lado. aqui é um lugar para se escrever - e nada mais.

Tiago da Silva

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impublicável.
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