Pra nunca esquecer

Gabriela de Oliveira
Nov 5 · 1 min read
ltg.art

Da minha dificuldade de lembrar.

Todos os dias me olho — enigma
E desvendo partes desconhecidas
Não escolhidas
Mas em mim entranhadas
Seria um sacrilégio ignorá-las

Com assombro e deslumbramento
Pego a alma, a desmembro

E tenho medo
Tenho medo!

Chego perto do que não entendo

E me arrependo
Me arrependo!

Mas sua mão, sempre disposta
Sobre a mesa
De repente, roça
Na minha

Como é bom te ver aos sábados!
Como é bom não te ver aos domingos!
Quando, minuciosamente, mastigo
Os sentimentos todos

Todos os medos são tolos
Tolos são os medos todos!

Lembro da sua zombaria
Ao me despir no espelho
E tudo que invoco é rima
Quando vem o desespero

Espero que a gente consiga
Agradar menos
Que os olhos dos outros
Sejam olhos outros
E não olhos
De nós mesmos

Tolos são os medos todos
Tolos são todos os medos!

impublicável.

ficção e não-ficção sem explicação, sem censura, sem reparos, sem cortes. as regras, os ensinamentos, as listas de como ser um bom escritor ficaram de lado. aqui é um lugar para se escrever - e nada mais.

Gabriela de Oliveira

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Eu vim aqui para transbordar.

impublicável.

ficção e não-ficção sem explicação, sem censura, sem reparos, sem cortes. as regras, os ensinamentos, as listas de como ser um bom escritor ficaram de lado. aqui é um lugar para se escrever - e nada mais.

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