4000 negros foram linchados entre 1877 e 1950

Será que podemos ser amigos?

_ Eu voto no Bolsonaro, mas nós continuamos amigos, né, Tiagão?
_ Se você fizer isso, a gente será tão amigo quanto um judeu e um nazista podiam ser amigos durante a Segunda Guerra Mundial. Seremos como um negro e um membro do Klu Klux Klan.

Vamos esclarecer, embora pareça radical: Uma pessoa não pode ser eleitora do Bolsonaro e minha amiga ao mesmo tempo.

Ao votar nele a pessoa legitima um discurso de ódio que me levará à morte. Ela passa a ser parte de um exército que tem por objetivo a aniquilação de minorias. E eu sou uma minoria e, ainda que não fosse, estaria ao lado delas.

Vai ser assim: se o Bolsonaro vencer, a onda de cidadãos de bem fazendo “justiça com as próprias mãos” vai crescer até a formação de verdadeiros grupos de extermínio, como já se vê: mulheres sendo estrupadas por manifestarem uma opinião diferente do cardume, gente sendo espancada e marcada com suásticas nazistas, negros sofrendo ameaças de morte em universidades. Haverão esquadrões da morte. Esquadrões para a minha morte.

Eu sou o alvo, entende? O policial não vai atirar pra matar em você só porque você tem um guarda-chuva na mão. Ele vai fazer isso comigo!

Ou um dia eu vou ver, o que vai ser cada vez mais comum, um homossexual sendo linchado, espancado até a morte num beco qualquer e eu vou tentar intervir. Eu sou preto, perceba: e eles vão me matar, de um modo bem brutal.

Aí no meu enterro eu te peço que você não vá. Porque vai ter sangue meu nas suas mãos. Não ficaria nem bem. Meu espírito se indignaria com a hipocrisia disso.

Você acha que é só uma questão política e de exterminar o PT mas não é: você pode pensar que é meu amigo mas precisa pensar nisso: você é um membro de um exército cuja guerra tirará a minha vida. E você mesmo não terá direito à oposição quando se der conta do erro que cometeu. A sua voz também será sufocada.

Eu espero que você não me responda. Que apenas pense sobre o assunto. Por um minuto que seja.

Um abraço.