Seria mais feliz se…

Se eu apreciasse assistir gente crescida jogando vídeo games. Mas eu já não via muito sentido em eu mesmo jogar, isso quando eu ainda era pequeno.

Se gostasse de ver crianças desembalando brinquedos. Mas isso só tem graça quando a) é ao vivo, b) você gosta da criança em questão e c) quem deu o presente foi eu.

Se eu achasse que um coach pode me ensinar o que fazer com a minha vida. Mas se eu, que estou com ela há 30 anos, não sei direito, como ele saberia?

Se eu tivesse uma visão religiosa radical e absoluta certeza de estar certo sobre alguma verdade do universo. Mas certeza mesmo eu tenho só da morte e esta não me conforta — não sempre, pelo menos.

Se achasse que uma barbearia pra ser boa precisa oferecer chopp, tatuadores, hambúrgueres gourmetizados, música ao vivo e vídeo games. Mas acho que poderia ser mesmo apenas um lugar para cortar o cabelo e a barba.

Se eu gostasse de sapatênis. Mas eles fazem os homens parecerem peterpans de meia idade criadores de gatos.

Se minha visão política comportasse a esperança no advento de um grande messias que salvaria a minha pátria e devolveria (ou criaria) a ordem em meio ao caos. Mas já faz muito tempo que não mandam um messias pra cá e o último a gente matou e escondeu o corpo.