Silêncio

Uma manhã de domingo pode ser igualmente solitária e reveladora. Certos momentos da vida são momentos tão únicos que você se sente como se estivesse sozinho no mundo. Igualmente isolado e acautelado. O silêncio é dúbio e abstrato. O Sol da manhã é fraco mas intenso. É a primeira fresta de luz do seu dia todo. É uma das poucas frestas de luz que chegam no escuro do seu isolamento.
Às vezes o silêncio diz mais do que palavras. Às vezes diz mais do que um texto. Ele é tão poderoso que ocupa todo o espaço auditivo mesmo não ocupando espaço auditivo nenhum. E, mesmo assim, se sabe que não ouvir ou ouvir o silêncio não significa que não existam outros sons. O silêncio é só a sinalização dos limites de audição que nós temos. Ele é uma cortina vermelha que cobre tudo o que está acontecendo por trás, coisas que não conseguimos ver. Ele é um microscópio distante, muito longe e difícil de ser alcançado.
O silêncio é a venda que nos envolve e o pano que nos cobre o corpo todo. É uma censura sutil, mas não uma censura que suprime. É te impedir de revelar demais ou te impedir de falar desnecessariamente. O silêncio é conservador e, ao mesmo tempo, progressista. Silencioso. Ninguém pode tirar o seu silêncio de ti. Se você não quiser falar, não fale. Se você precisar falar e se calar, também vai mostrar a sua maior fraqueza. O silêncio revela tudo. O silêncio revela tão pouco…

