Convivência e vontade

“Cara, as pessoas gostam da gente de forma desproporcional à convivência que temos com elas”

Uma terça comum, acordo e vou pra faculdade. Lá, as mesmas aulas, amigos e conversas, monotonia define. Até que um grande amigo, entre um café e outro, “soltou a pérola” que me atormenta até o momento em que vos escrevo. Sigam-me os loucos….


Somos complexos por nós mesmos, pessoas que nos trazem trazem bons sentimentos são as mesma que, por vezes, nos levam à ira. Talvez por uma conjectura inimaginável de fatos mas, a maldita convivência sempre está ali, na surdina, presente em todos os desequilíbrios de relação. E quando digo convivência, entenda que não me refiro somente à de corpo presente, visto que não seria um pensamento válido em meio ao adventos da modernidade. Quantas vezes nos pegamos quase desfalecidos de saudades de um certo alguém e, após um curto período de convivência, já perdemos o interesse ou nos cansamos daquela presença. E isso me traz a lembrança Nietzsche com sua “Vontade de potência" e o infindável desequilíbrio nas relações humanas. É aí que a convivência entra como fator de desgaste a medida em que tenta equilibrar o que deveria permanecer desequilibrado. Pensando bem superficialmente no conceito filosófico, a vontade seria a força que moveria a vida, no desequilíbrio constante entre desejar um objeto, conquistá-lo e se interessar por outro em detrimento ao primeiro. E se seguirmos esse princípio, percebemos que a convivência age contra “as leis naturais da vontade” uma vez que tenta estabilizar as relações entre o desejoso e o objeto de desejo. As pessoas então realmente tenderiam, como constatou o amigo, ao desinteresse e ao desequilíbrio relacional quando a convivência entra em jogo uma vez que as duas forças, ao conquistar a convivência tenderiam a modificar de direção, apontando para novas vontades e é esse o ponto que pode ter levado a tal reflexão em plena terça-feira letiva.

Apesar de tudo, as relações humanas e sentimentos envolvidos não estão edificados sobre regras soberanas e inflexíveis. Isso é o que me motiva a ter esperança na relação humana diária.

Até que enfim, me livro de tal pensamento, ansioso por novas aflições e consciente de que elas virão.

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