SONS NOTURNOS

9–6–17, sp

centro de sp.

Os barulhos noturnos atormentam o meu sono. A janela e as cortinas fechadas, e há apenas um feixe de luz que entra pelas frestas, nas falhas, mesmo colando a cortina com esparadrapo na parede. Mas o som entra de qualquer forma. O vidro, o vidro não contém as ondas sonoras que vêm lá de baixo, e dos lados, e da frente. Não sei, porque eu não vejo a origem do som, só sua extremidade final, enquanto encaro o teto, com o pequeno feixe de luz por ali.

As vezes são vozes, risadas, ou gritos. Não sei se é alegria ou socorro. Conversas animadas, valentes, que vencem os 11 andares e repousam aqui, dentro do meu quarto. Ou música alta, variada. As cinco, uma roda de samba e o som dos pandeiros vai se tornando insuportável, taquicardíaco. Ou são os carros, com seus motores em contínuas explosões, centenas de milhares de explosões, com seus pneus gritando com o asfalto e suas buzinas alertando suas presenças. Ou são os estrondos, dos mais variados. O metal batendo no metal, a razão eu desconheço. Ou algo muito pesado caindo de algum lugar em outro lugar. Ou o concreto sendo quebrado, pelos homens que trabalham no escuro, quando a cidade dorme.

Mas é óbvio para mim: a cidade não dorme. Quando as luzes se apagam, eu ouço do meu quarto: a respiração pesada, de pulmões poluídos, e a voz do despertar. Ouço, até conseguir dormir.

Então a cidade me observa: atenta, acordada, viva. E barulhenta.

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