Volta


O homem que muito ama caminha a passos incertos.

O amor que sente no peito ainda não consegue sobrepujar a vergonha que lhe abate os pensamentos

Em silêncio busca ao Pai, ansioso por encontrar uma certeza. Procura por todos os lados, mas elas parecem ter-se escondido.

O chamado que ouvira fora claro e incisivo: “Vá!” Resoluto levantou-se e foi.

O silêncio que reina agora é o eco insistente do mandamento do Pai. Ele não precisava falar de novo.

Ele entra na casa e rostos conhecidos desviam o olhar. O fardo da vergonha é tamanho, que seus passos tornam-se lentos, arrastados.

Uma súbita vertigem quase o derruba ao chão.

Olhos envergonhados de seus falsos amigos o guiam ao lugar onde a dona de seu coração está. Ele pára à porta e sente seu perfume barato, inconfundível.

O coração torna-se, no peito, um grãozinho de areia.

É a mão do Pai na sua que alcança a maçaneta e abre a porta.

São os olhos do Pai nos seus que a vêem deitada ali, afogada em sua própria imundície.

É o coração do Pai no seu que a ama mais que nunca.

É a voz do Pai e não a sua que chama: “Volta…

Braços estendidos de um Deus que é completamente amor.

Ela abre os olhos.

O passado voa lá fora , como folhas secas ao vento.

Oséias 1:2