Nosso caso de amor em 15 anos

Do something pretty while you can Don’t be a fool.
Acho que eu já contei essa história antes, mas conto de novo: no final dos anos 2000, uma reportagem na Showbizz apresentava uma banda afirmando “eles vão salvar sua vida”. Além da chamada apelativa (que funcionou comigo, impressionável que sou), a matéria dizia que as letras continham inúmeras referências literárias, historinhas sobre pessoas comuns e temas melancólicos. Eu nem tinha ouvido ainda, e já estava amando.
Na época não tinha essa moleza de deezer, spotify e YouTube. Para conhecer uma banda você tinha que ir na Saraiva Mega Store da rua da Travessa, achar o cd e pedir pra um funcionário tocar. Encontrei apenas o “If you’re feeling sinister”, e, embora tenha achado diferente de muita coisa que já tinha ouvido, gostei. Pedi pra ver o preço: 44 reais, isso em 1999, época em que eu ganhava exatos ZERO reais de mesada. O disco era importado, e eu abortei a missão.
So I gave myself to God There was a pregnant pause before he said… ok.
Janeiro de 2001. Dentro do Rock in Rio havia uma lojinha da gravadora Trama, e eu descobri que eles estavam editando aqui inúmeras bandas estrangeiras pouco conhecidas. Inclusive Belle and Sebastian. Por 13 reais cada. E eu já trabalhava, então comprei 2 (devia ter comprado todos, mas o preço continuou esse mesmo, e fiz a coleção alguns meses depois).
Now the centre of my so called being is The space between your bed and wardrobe with the louvre doors
No primeiro show da banda no Rio, tinha marcado com uma ex-namorada de irmos juntos mas furei pra evitar recaída.
Completamente incapaz de chegar em meninas desconhecidas na night, venci o medo 2 vezes porque começou a tocar B&S (Casa da Matriz e Bunker 94, suas lindas, que saudades).
Fui no segundo show no Rio recém casado com a Isabela, e apesar de ter pulado e gritado foi ela que apareceu num vídeo oficial da banda (true story).
Fui no terceiro show com ela e com Antônio na barriga, de camarote por causa da gravidez, e com amigos queridos.
Ouvi os discos em dias alegres e tristes. Para embalar paixões e curar dor de cotovelo.
Because life is never dull in your dreams A pity that it never seems to work the way you see it.
Toda essa introdução pra dizer que só essa semana descobri que Stuart David, um dos fundadores da banda, escreveu um livro sobre os seus primeiros dias. Eu tinha preconceito com ele por ter deixado o grupo em 2000, afinal:
1) quem abre mão de algo tão maravilhoso?
2) tenho implicância com a outra integrante que saiu, porque ela não veio ao show em 2001 alegando medo de avião. Aí logo depois foi pro Japão. Lamentável. Mas depois ela criou uma banda ótima também e eu meio que perdoei porque né, sou 99% rancoroso mas esse 1% é vagabundo, não no sentido wesleyano, no sentido de sem amor próprio mesmo.
3)sério, quem sai por livre e espontânea vontade de uma banda como essa?
A family’s like a loaded gun You point it in the wrong direction someone’s going to get killed.
Aí fui ler o livro e adorei. Stuart David fala de forma muito carinhosa sobre tudo o que passou, idolatra os outros integrantes e, claro, dá detalhes deliciosos de como eles funcionavam naqueles primeiros momentos.
Aproveitei para reouvir todos os discos, repassando na minha cabeça cada um dos vários momentos da minha vida dos quais eles fizeram parte.
Todos os versos de musicas incluídos são de um único álbum, “Tigermilk”, o de estréia. Tem como não amar?