Criatividade — o último reduto da Humanidade

O exponencial desenvolvimento da tecnologia traz um problema que tem de ser abordado com ideias do século XXI.

É certo que com tecnologia é criado emprego, mas é emprego criado para pessoas altamente especializadas nessas mesmas tecnologias.

Não é expectável que alguém que trabalhe numa fábrica se torne num programador informático e que aconteça a magia da deslocação da força laboral para as áreas de emprego mais solicitadas.

Além disso, com cada avanço tecnológico que emprega uma pessoa, dez ficam desempregadas! Ou seja a tecnologia cria desemprego…

Tudo o que puder ser automatizado vai ser automatizado.

Seja por uma questão de eficiência, sustentabilidade ou puro lucro (pois claro!), tudo o que podermos automatizar irá ser automatizado.

Já não estamos a falar de uma mera automatização linear e mecânica como anteriormente, mas sim de inteligência artificial.

O cérebro Humano é o mesmo há milénios, mas a capacidade de processamento dos computadores está a evoluir exponencialmente e irá ultrapassar a nossa capacidade cognitiva dentro de poucos anos.

A automação está a ajudar-nos a fazer mais com menos recursos.

Não é ficção científica, essa evolução já está a acontecer neste preciso instante, com robots que aprendem sozinhos , carros que se conduzem sozinhos, drones que voam sozinhos, etc.

Estamos a assistir ao aparecimento da automação em todas as áreas da actuação Humana.

E ainda bem.

É um desperdício sujeitar seres humanos a ter de servir atrás de um balcão de uma multinacional americana de fast-food, ou de realizar tarefas repetitivas para o resto da sua vida numa fábrica de rolhas de plástico, apenas por questões de sobrevivência.

O Capitalismo e o paradoxo

Não tenhas dúvidas que todo este desenvolvimento tecnológico é feito para que a máquina do capitalismo se torne ainda maior, exactamente porque consegue produzir mais com menos recursos. Recursos esses que são também humanos.

O paradoxo existe quando, ao desempregar pessoas, estas ficam sem acesso a rendimento e por consequência, sem acesso aos bens e serviços produzidos pela própria máquina de consumo que é a o sistema capitalista.

As coisas são produzidas na mesma mas… não há quem as compre.

Para dar resposta a esta questão existe o rendimento básico condicional (RBI).

O Rendimento Básico Incondicional é uma prestação atribuída a cada cidadão, independentemente da sua situação financeira, familiar ou profissional, e suficiente para permitir uma vida com dignidade.

Um RBI é:
- Universal — não discrimina ninguém, todos o recebem
- Incondicional — um direito para todos, sem burocracias
- Individual — garante autonomia às pessoas em situação vulnerável
- Suficiente — para viver com dignidade

Uma pergunta que poderá surgir é (entre muitas eu sei):

O que é que as pessoas vão fazer?

Entra a criatividade

A criatividade irá ser a última coisa a ser automatizada. Ok, existem máquinas a tocar violino e a pintar quadros, mas não estabelecem laços emocionais com as pessoas. Necessitamos da interacção social para nos ligarmos uns aos outros emocionalmente e de forma empática.

Além de sermos seres sociais, cooperantes, somos também criativos.
É na criação que o ser humano se sente mais realizado.

É na imaginação, na capacidade de inventar que reside o nosso maior valor para que sejamos capazes de construir as ferramentas que iremos usar na sociedade do futuro.

Dentro da criatividade, as indústrias criativas e artísticas têm um papel muito importante nesse futuro.

Depois de termos automatizado o sector primário, o secundário e o terciário, as actividades criativas ligadas à cultura são um lugar natural para a ocupação de muitos de nós, de forma a fortalecermos os laços que fazem de nós Humanos e que nos permitem sobreviver cooperando neste minúsculo planeta azul.

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