Compartilhamento e economia colaborativa: entenda de vez estes conceitos ou prepare-se para o fim do seu negócio

Mais do que uma tendência dos mercados, essas ideias já estão presentes no nosso dia a dia e estão transformando radicalmente as relações comerciais. Na entrevista a seguir o analista do Sebrae Goiás, Francisco Lima Júnior, dá algumas dicas de como empreendedores podem aproveitar as oportunidades geradas neste novo e atual momento econômico no mundo

UBER, Airbnb, Nubank, Netflix, Rappi, Next_U são marcas globais presentes no nosso cotidiano e que traduzem bem os conceitos de economia compartilhada e colaborativa. Num cenário econômico de recursos financeiros e naturais cada vez mais escassos, novas concepções de valores são dadas à produtos e serviços.

A posse de bens tem deixado de ser uma prioridade para as pessoas, em especial as das novas gerações, que estão mais preocupadas com impactos ambientais e sociais gerados pelo princípio perverso do hiperconsumo e do sucesso financeiro a qualquer custo. Mudando drasticamente as relações de consumo, esses conceitos de economia compartilhada e colaborativa trazem novas práticas e fortalece outras antigas, como a permuta, e as empresas que não aproveitarem a essas novas oportunidades de negócios que surgem emergentes estão fadadas a exclusão do mercado.

Essa é a avaliação do analista do Sebrae Goiás, Francisco Lima Júnior, que também é administrador de empresas, com habilitação em gestão empresarial e gestão de marketing. Com dez anos de experiência como gestor de projetos, especialmente no desenvolvimento da economia digital e startups, o especialista se diz um “apaixonado por tecnologia, criatividade e inovação”. Na entrevista a seguir, concedida com exclusividade ao blog Inovação Colaborativa, Francisco Lima Júnior dá algumas dicas de como pequenos empreendedores podem aprender a trabalhar com essa nova realidade da economia mundial que, segundo ele, não é mais uma simples tendência, mas uma realidade irreversível.

1. Temos percebido o crescimento de negócios colaborativos no Brasil e em outros países, a que o senhor atribui isso e qual a perspectiva que se tem dessa tendência econômica para os próximos anos?

Os negócios colaborativos, assim como os compartilhados se baseiam em princípios da união das pessoas em torno do propósito de maximizar a utilização de recursos disponíveis, diminuindo a necessidade de novas aquisições, ou reduzindo o custo de utilização. Não se pode dizer mais que é uma tendência e sim um novo cenário presente e crescente nos modelos de negócios, sejam eles digitais, ou não. Uma pesquisa realizada na Holanda em 2013, revelou que 84% dos seus cidadãos estão dispostos a compartilhar algo. No Brasil, apesar da falta de dados, podemos acompanhar a crescente utilização desse modelo. O Brasil, por suas particularidades e momento econômico se torna um campo fértil para que a economia colaborativa e compartilhada cresça muito, seja pelas dimensões dos mercados, seja pela própria ausência de recursos e dificuldades financeiras de parte da população. Entretanto, não podemos atribuir as perspectivas de crescimento desse modelo somente a fatores econômicos. Há uma mudança mundial de comportamento do consumidor, e no Brasil não é diferente, pois está remodelando a forma com que as pessoas se relacionam com marcas e produtos.

2. O conceito de compartilhamento, que se potencializou ainda mais nos últimos anos, especialmente com o advento da internet, traz que tipo de modelos de negócios?

Vários são os modelos de negócios que se beneficiam da economia compartilhada, desde lojas compartilhadas e coworkings até aplicativos de mobilidade urbana, hospedagem e alimentação, passando por serviços de compartilhamento de ferramentas, de conteúdo e educação. Com a exploração e popularização do conceito do compartilhamento de coisas que já existem para gerar valor e a colaboração das pessoas, aliadas a tecnologia que permite uma rápida aproximação e identificação de interesses, as possibilidades de se modelar um negócio com base nesses princípios são gigantescas. Se você tem algo que sabe fazer e que gera valor para alguém, se tem tempo disponível, bens que podem ser compartilhados, em qualquer esfera, você já tem os insumos principais para construir um negócio.

3. Como o compartilhamento tem também influenciado nas relações de consumo da atualidade? Podemos dizer que para um futuro próximo as novas gerações não irão priorizar as posses de bens como carros e imóveis?

Estamos vendo um novo mindset (configuração de mente) sendo construído nas pessoas, principalmente as das novas gerações. A posse, a propriedade vêm perdendo espaço para o sentido das coisas. Bens estão sendo trocados por serviços. Por que você tem um carro? Numa resposta simplista, seria válido dizer que é para levar alguém de um ponto A para um ponto B. Contudo, vários outros aspectos influenciaram os consumidores ao longo do tempo. Note que propagandas de automóveis sempre evidenciaram outros benefícios além da locomoção, como o conforto e o status. Outrossim, vemos que as novas gerações estão mais preocupadas com outras questões, como os problemas de mobilidade urbana, os impactos ambientais e até mesmo financeiros para se ter e manter um automóvel. Tanto que várias montadoras estão migrando seus modelos de negócios baseando-se na economia compartilhada, oferecendo o automóvel não como um bem, mas como um serviço. O mesmo está acontecendo com imóveis, no caso de imóveis comerciais, salvo em alguns casos, a necessidade de se ter um escritório ou loja própria cai por terra, empreendedores estão cada vez mais adeptos aos coworkings e lojas compartilhadas. No caso dos imóveis residenciais, é cada vez maior a percepção que os mais jovens já não veem tanto sentido em investir tanto dinheiro em uma residência fixa.

4. A prática da permuta voltou a ganhar grande espaço no cenário da economia compartilhada. Qual sua visão sobre essa prática? O senhor acredita que ela ficou mais fácil e segura nos dias de hoje?

Dentro da mesma ótica, pensando que não há recursos financeiros disponíveis em abundância para todas as pessoas, as permutas cobrem parte dessa lacuna onde, quem tem algo oferece a quem tem um produto ou serviço que o interessa. Porém, essa prática esbarra na dificuldade de conexão entre a oferta e demanda. Contudo, há algumas plataformas que buscam resolver essa questão, seja com a aproximação de interesses, onde você pode pesquisar quem está oferecendo/buscando algo e com isso facilita-se a conexão. Ainda há outras que ampliam o conceito e trabalham com permuta colaborativa em rede, onde você pode disponibilizar um produto ou serviço e consumir qualquer coisa dentro da plataforma, não necessitando a rigor, estabelecer a relação de troca de um para um. A medida que as pessoas consomem o que você está oferecendo, cria-se créditos para consumir qualquer produto ou serviço dentro da plataforma.

5. Em sua opinião como a permuta pode impactar positivamente no desempenho de pequenas e médias empresas?

Acredito muito no impacto neste positivo, mas ainda há barreiras a serem superadas. Precisa-se criar a cultura de que o econômico (e não somente o financeiro) tem valor. Imagine uma empresa que vende peças para carro, por exemplo, que necessita contratar serviços de publicidade e de outro lado, uma agência que precisa de peças para consertar sua frota. Nessa situação eles são ao mesmo tempo clientes e consumidores e se estabelecem nessa relação, elimina muito do esforço comercial para efetivar esse processo transacional.

6. Além dos cursos do SEBRAE, de que forma os empreendedores podem se capacitar para entender e integrar essas novas tendências da economia colaborativa e compartilhada?

Existe muita literatura e materiais disponíveis de forma gratuita na internet. Mas acredito que além desses recursos, é muito importante que procure por iniciativas que acontecem na sua região. Conecte-se a coletivos que promovem a economia compartilhada, a hubs de inovação, conheça modelos de negócios, participe de eventos. Assim como o ambiente de negócios, a informação e o conhecimento atualmente também estão, cada dia mais, baseados no compartilhamento.

Inovação Colaborativa

Economia colaborativa: A verdadeira riqueza está em compartilhar

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