Desapega que a vida flui

O que você não quer mais pode ser útil para alguém

Toda a virada de ano seguimos o mesmo ritual: você dá uma olhada nas gavetas, não guarda-roupa ou naquele quartinho de entulhos da casa e numes lugares você está no carrinho de bebê que você já não usa um bom tempo, já que seus filhos Cresceram. Aquele terno que há muito está esquecido num canto ou o belo conjunto de ferramentas, que ainda está na caixa e que só depois você percebeu que ele não seria tão útil. Não para você! Mas pode ter certeza para para com certeza.

Façamos o exercício do final ou de início de ano um hábito rotineiro e sempre que puder, ao longo dos próximos 12 meses, desapegue. Faça isso e ganhe imediatamente mais espaço e porque não um bom lucro com isso. Essa cultura do desapego tomou força nos últimos anos e a internet ajudou a impulsionar. Para se ter ideia, um dos maiores e mais antigos portais de classificados onlines do Brasil, movimentou só no ano de 2015, cerca de R$ 70 bilhões em transações de compras e vendas de produtos usados.

Em tempos de economia compartilhada e racionalização do uso dos recursos naturais, o desapego tem sido uma palavra de ordem. Diferente da época de nossos pais e avós, hoje não nos importamos tanto com casas muito grandes e preferimos os apartamentos compactos. Essa mudança de cultura, de deixar de ostentar com que não se usa e fazer uma economia girar com que já tem tem, é uma tendência inexorável e cada vez mais fortalecido como plataformas digitais de permutas. Precisamos entender como natural é o desapego e com isso abrir mão de coisas que só ocupam espaço.

Dentro da economia compartilhada, quando nos desapegamos, espaço e apenas um dos nossos ganhos. Sabendo que eu tenho, mas não uso, posso ser útil a alguém, porque não agrega valor a esse bem ou serviço que está ocioso e negociá-lo? Você tem uma papelaria e um estoque muito alto de algum produto por não negociar isso de outra forma? Ou então, tem um horário ocioso em meu salão de beleza, porque não é importante, mas não é uma questão de troca.

Nada contra o desapego no sentido da doação de algo que se tem para alguém que precisa, mas também entende como natural uma oportunidade de negócio com um bem que não usamos.

Ao contrário de outros países, o Brasil ainda não explora todo seu potencial de compra e venda de produtos. Esse processo de amadurecimento depende da superação de alguns preconceitos, como uma ideia de que a pessoa só vende seus bens quando está precisando de dinheiro com urgência e ainda, lidar com uma desconfiança em uma negociação com um desconhecido. Como plataformas digitais de permuta e vendas de produtos, estão para áreas auxiliares novas relações e nossas possibilidades. Além disso, garantem seriedade e eficiência nessas novas relações de consumo e fazer uma economia de uma forma muito mais sustentável.

Rafael Barbosa - especialista em economia compartilhada e CEO da plataforma XporY.com