Por que investir em Criptomoedas?

Bitcoin, Ethereum, Blockchain e afins

Um amigo muito inteligente investindo nessas criptomoedas e duas notícias recentes abriram meu apetite para estudar mais sobre o assunto. Mergulhei nesse mundo com curiosidade e tenho algumas opiniões iniciais para dividir com vocês.

Primeiro, chamou atenção que, em fevereiro desse ano, empresas como JP Morgan, Microsoft, Intel, Accenture e outras 30 grandes empresas formaram uma aliança para estudar como criar aplicações de negócios na plataforma Ethereum (da criptomoeda ETH) (Link notícia). Depois teve a queda de preço na semana passada de ETH de U$ 319 para U$ 0,10, mostrando o quão volátil é esse mundo. (Link notícia).

Para fechar essa introdução, você sabia que somando o valor de mercado de todas as criptomoedas já se chega a um valor de mercado de cerca de U$ 80 bilhões??? (como esse mercado é volátil esse número pode mudar bastante também).

O que são as criptomoedas?

As criptomoedas são um meio de troca, criado e guardado eletronicamente em uma plataforma de Blockchain, em que são usadas técnicas de criptografia para controlar a criação de novas unidades monetárias e para verificar a validade das transações. O Bitcoin é o exemplo mais conhecido.

O Blockchain é a tecnologia base para as criptomoedas. Ele funciona como um grande livro-registro que é público, distribuído na rede e criptografado e que contém os saldos e transações de unidades de valor entre os usuários.

A grande questão dessa tecnologia é que a validade dessas informações é verificada por consenso e de forma descentralizada. Não há a necessidade de um banco ou intermediário. Os responsáveis pela validação e pelo consenso são os computadores da própria rede (peer to peer) que seguem as regras de definidas na partida por cada criptomoeda. Dessa forma, se garante que não ocorra o problema do doublespending (ex.: eu te dar R$ 100 e dar o mesmo dinheiro para outra pessoa).

Dito isso, essas criptomoedas podem ser vistas não como ativos digitais, mas sim como plataformas tecnológicas, que permitem transações, que envolvem necessariamente a confiança entre as partes e transparência. O Blockchain pode funcionar como a infraestrutura para aplicações como marketplaces, moedas, propriedade intelectual, registros imobiliários, identificação pessoal, crowdfunding, bolsa de valores, IoT (comunicação machine2machine) e smart contracts (contratos que podem ser registrados na plataforma e executados automaticamente conforme seu código pré-estabelecido).

O grande diferencial do Ethereum para o Bitcoin é justamente a possibilidade de ter essas outras aplicações e não só servir como meio de pagamento.

Tese de Investimento

Embora os preços de curto prazo dessas criptomoedas sejam muito influenciados por movimentos especulativos, o valor delas no longo prazo está associado a expectativa de utilidade que essas tecnologias vão trazer. Então, se uma plataforma tiver cada vez mais usuários e aplicações, maior será o valor de sua moeda.

Tendo isso em vista, minha tese é de que criptomoedas que trazem alguma utilidade adicional para seus usuários, além de sua função de meio de pagamento e reserva de valor como ocorre no Bitcoin, terão maior valor . Pensando no valor no longo prazo, listo como drivers de valor dessas moedas:

  • Desenvolvimento de aplicações na plataforma por novas empresas e pelas já existentes (para mim é o driver mais importante! No caso da Ethereum é importante acompanhar a evolução da Enterprise Ethereum Alliance)
  • Aceitação das criptomoedas como meio de pagamento
  • Facilidade do usuário comprar e manter as criptomoedas (hoje ainda é bem complicado comprar e manter a maioria delas)
  • Eficiência operacional da plataforma (custos de transação reduzidos, baixo índice de paradas, velocidade)

Pensando nos principais riscos, colocaria:

  • Surgimento de plataformas tecnológicas concorrentes, sejam elas criptomoedas ou não (na minha opinião esse é o principal risco!)
  • Risco regulatório (exemplo da China que tinha banido o uso do Bitcoin)
  • Risco de ataques hackers (tem exemplos tanto no Ethereum em 2016 como no Bitcoin)

Outro ponto que vale destacar é que falta transparência sobre essas plataformas, sua governança, a equipe responsável, o número de usuários e as aplicações que estão sendo desenvolvidas.

Estratégia de Alocação

Resumindo a história, o risco de investir nas criptomoedas é absurdamente alto e você pode perder tudo o que colocar!!! O que está em questão é uma disputa tecnológica e apesar de tudo indicar que o blockchain veio para ficar, como ele será usado e quais são os grupos que conseguirão capturar esse valor ainda é algo bem nebuloso! (veja, por exemplo, a Hyperledger que tem uma plataforma concorrente a Ethereum)

De qualquer forma, dependendo do seu apetite ao risco, uma pequena parcela do seu patrimônio pode ser reservada (por exemplo até 1%) para se expor ao risco de eventos altamente improváveis, mas que no caso de se materializarem daqui a 5 ou 10 anos, o retorno poderá ser muito alto (ex.: adoção em larga escala de uma dessas plataformas). Para efetivar esse investimento, vale considerar a estratégia de compra, em que se investe um pouco a cada mês, até chegar na sua alocação desejada, pois isso permite mitigar as flutuações de curto prazo.

Na era de criptomoedas, nossa moeda mais valiosa continua sendo o nosso tempo!

Acompanhe o Canal no Youtube do Insights! — bit.ly/insightsap

Você gostou deste texto?

Leia também: Por que ensinar programação nas escolas?