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Sailing Sense
Foto: Sailing Sense

Um Embarque para Novos Sentidos

Ajustar velas, direcionar a embarcação e velejar foram atividades presentes na vida de Miguel Olio desde os seus 08 anos. Talvez, ele só não imaginaria que, em algum dia, esta rotina, tão comum na vida de velejadores e competidores, poderia se tornar uma experiência especial na vida de pessoas que possuem algum tipo de deficiência.

Após velejar por muitos mares e ter conhecido muitos dos desafios vivenciados pelas pessoas com deficiência durante a sua graduação de Educação Física, foi que, em 2007, Miguel Olio, Educador Físico e fundador do Instituto Sense, criou o projeto chamado Sailing Sense.

Único no mundo, o Sailing Sense, surgiu a partir da monografia escrita por Miguel intitulada como “Esporte Adaptado: Vela para pessoas com Síndrome de Usher”.

Segundo o portal Síndrome de Usher Brasil, a Síndrome de Usher é uma doença hereditária caracterizada pela perda parcial ou total da audição e diminuição progressiva da visão. Portanto, pessoas com Usher são também conhecidas como surdocegas. A Organização Mundial de Saúde — OMS, estima 40 mil pessoas com esta condição no mundo.

Com o propósito de transformar vidas por meio de vivências náuticas, o Sailing Sense oferece atividades sensoriais e inclusivas, de forma gratuita, onde jovens e adultos com algum tipo de deficiência são os responsáveis pela embarcação. Sejam pessoas com deficiência visual, auditiva, física e intelectual, assim como o autismo e síndrome de Down. É um dia que todos podem (e devem!) participar. A experiência se inicia dentro de um barco a vela, com a apresentação sensorial e descritiva de todos os seus detalhes. Em seguida cada um toma o seu posto e se torna o responsável pelo leme e pelas velas. Com todas as orientações dadas, todos partem para explorar novas emoções! Com estas ações o Sailing Sense trabalha pontos essenciais no desenvolvimento holístico destas pessoas baseado na tríade: autoconhecimento, prática de atividade física e empoderamento.

“ Desde 2017, quando eu comecei a velejar, minha vida mudou totalmente. Eu vi que eu podia muita coisa. Hoje sou a primeira aluna com deficiência visual da Faculdade de Direito do Litoral Norte.” Diz Marina Castelani, que possui deficiência visual, é estudante de direito e participante do Sailing Sense.

Além deste momento de inclusão e superação para as pessoas com algum tipo de deficiência — PCD's, o projeto possibilita também uma vivência inversa, realizada com videntes ou pessoas sem deficiência visual. Com uma venda nos olhos, os participantes são convidados a se colocarem no lugar de uma pessoa com deficiência e viver a experiência de navegar, sentir o mar e o vento como nunca vivido antes. Um momento especial de se conectar com o outro, de entender as suas dificuldades e reconhecer a força e a capacidade de superação que uma pessoa com deficiência possui.

Assim, o Sailing Sense traz a oportunidade de vivermos na prática o conceito de empatia e transpor para cada uma de nossas realidades os aprendizados e as emoções obtidas durante a experiência. Este é um trabalho especial e de grande relevância nos dias de hoje no Brasil, onde a inclusão ainda é um grande desafio.

Segundo o IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no Brasil, 6,7% da população brasileira possui ao menos um tipo de deficiência, o que corresponde 12 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo menos de 1% do total de empregos formais do Brasil são ocupados por PCD’s ( Pessoas com deficiências).

Com o apoio de patrocinadores e em parceria com outras organizações sociais que atendem PCD’s no Brasil, o Sailing Sense já atendeu mais de 1000 pessoas e está presente em 6 cidades, sendo 4 no estado de São Paulo, 1 no Rio de Janeiro e em Itajaí — Santa Catarina. Além disso, o projeto já participou de eventos renomados como o Volvo Ocean Race (a maior regata de Volta ao Mundo).

As velas, que serviriam apenas para direcionar uma embarcação, ganharam novos significados e deram novos rumos à vida dos muitos participantes que já passaram pelo projeto Sailling Sense. Hoje elas são ferramentas de transformação, inclusão, autoestima e protagonismo. Para Miguel, o impacto do projeto na vida de cada uma destas pessoas é o que o inspira a continuar embarcar e explorar novos sentidos.

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*Essa história foi contada especialmente por Ingrid Queiroz para o Inspire & Conte-me, que conta histórias de pessoas que estão empreendendo e transformando o mundo! Conheça outras histórias e se inspire!

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Ingrid Queiroz

Ingrid Queiroz

Founder na Inspire Narrativas | Empreendedorismo| Narrativas Sociais | Inovação | Impacto social | Storytelling | Documentários ingrid@inspirenarrativas.com.br

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