Toolbox e como não bati a cara no coqueiro da pista de BMX

Foto de Mario Freitas Neto

Para um instante e abre sua Toolbox.
A grama não é verde.
Respire. Isso. Mais fundo.
Respire.
Você é capaz de se deslocar no tempo.
Vai. Inspira, expira. 
Mais uma vez.
Pega o ritmo. 
E agora, o que se faz de tudo isso?
Vamos pensar tudo fragmentado. Você até pode gritar dai “mas o mundo é um todo”. Ok, concordo, mas vamos com calma. 
Respira. Mais fundo.
Primeiro a gente planeja, depois a gente faz, daí a gente escolhe e então a gente fica lambendo a cria. 
Calma, não grite! 
Se lembre quando tentou andar de bicicleta pela primeira vez, segunda, sabe lá até quando você tentou. Você primeiro pensava em pedalar, depois raciocinava sobre o guidão e esquecia das pernas e fatalmente o chão era quem ia estar do seu lado.
Há o chão. Ele e minha cara são quase como Renato Russo e a acidez poética. Inseparáveis!

Mas em algum instante a gente pega o jeito e tudo vai, e vai com uma fluidez da gota. Até que chega o ponto que a gente já tenta soltar umas manobras, arrumar um malabarismo de efeito na hora de subir na bike ou como fazer menos força nela para dar aquele rolé invocado.
Respira. Isso. Respira fundo que uma hora vai.

Para mim, na fotografia a coisa rola da mesma forma. A gente vive esborrachando a cara no chão quando acha que está tratando direito uma foto. Isso tudo porque a gente não pensou no pedal, depois no guidão e então nos freios. A gente foi direto para as manobras radicais.
Respire. Tenha calma, jovem!

Antes da gente sair bulindo em tudo até que nada tenha mais jeito, temos que entender os caminhos para tratar nosso material. Ferramenta por ferramenta. O que cada uma delas faz e como elas melhoram nossas experiências visuais.

É isso. Torne sua foto uma experiência visual.
Respire.

Depois que você já está fera nas ferramentas, ai a gente parte para os atalhos. Adoro atalhos e sei de um monte deles. Segundo o princípio científico da Navalha de Ockham “as entidades não devem ser multiplicadas desnecessariamente”. E para escolher bons atalhos, a intuição é uma grande aliada. Mas ela só vai te ajudar se você tiver bagagem e planejamento em seu repertório.

Nesse ponto nem o nefasto tempo passa a ser um problema para você.

Imagina que você está olhando você andar de bicicleta bem no começo de sua carreira de esportista radical. E você está na antiga pista de BMX da Jaqueira. Então você se viu indo em rota de colisão com um coqueiro. Você vai lá até você, troca a roda da bicicleta, como um anjo salvador, e pronto. Sua obra foi perfeita. Assim será na foto. Ela foi feita num tempo diferente do tempo do tratar, do tempo agora, mas você está dominando a máquina do tempo, pode ir lá na obra e fazer suas intervenções para tudo ficar bonitinho como você deseja.

Isso, respira.

E para não dizer que não falei das flores e que a Matrix não se abriu, na hora que você descobre que rompemos a barreira do tempo, também rompemos a falta de lucidez do cérebro. Porque você também passa a entender o que são as cores, a luz e como tudo isso se comporta. Tipo: “sua grama não é verde”.

Respire.

Toda caixa de ferramentas tem seus segredos e a gente vai desanuviar eles no Toolbox- Tratamento de imagem usando o Lightroom.

Texto: Lamartiny Sales e Ivan Alecrim

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