Introversão e superestimulo
Introversão é, basicamente, ter menos energia disponível para enfrentar situações de socialização. O introvertido precisa passar algum tempo consigo para recarregar suas energias e conseguir encarar mais alguns minutos de interação social.
Até aí, nenhuma novidade. Mas o que acontece quando a energia acaba ou está prestes a acabar e por algum motivo você precisa permanecer interagindo socialmente? Algo que, em nosso cotidiano, é bastante comum. As pessoas essencialmente deixam um ambiente lotado para enfrentar outro igualmente cheio.
Superestimulo
Ao que me parece, a palavra “superestimulo” não existe em nosso dicionário, contudo, é comum o uso do termo “overarousal” ou “overaroused” em inglês para indicar situações em que introvertidos e HSPs sentem-se extremamente exauridos ou inquietos após um período intenso de estímulos. Sendo assim, aqui no texto eu vou utilizar os termos “superestimulo” e “superestimulado” para fazer referência a essa sensação.
O mundo superestimulante
É incerto afirmar que vivemos em uma cultura da extroversão, quero dizer, que a maioria das pessoas nas mais diversas culturas apreciam características extrovertidas, mas é correto afirmar que o nosso mundo é superestimulante. Das luzes e sons de nossos dispositivos eletrônicos, aos ambientes cheios de gente; dos lugares excessivamente iluminados e repletos de cheiros por todos os lados a nossa tentativa falha de sermos multitarefa.
O mundo, em sua maioria, se tornou um lugar superestimulante. E no final do dia nós, introvertidos, estamos cansados. E pior, nós precisamos continuar.
Estímulos
Nem todo estímulo, para um introvertido, é externo. Muitas pessoas conversando em um ambiente, por exemplo, pode ser entendido como um estímulo, mas o sentimento de desconforto e o constante desejo de ir embora também são estímulos, conhecidos como estímulos internos. Tudo o que ocorre dentro do introvertido, como: pensamentos, sensações, sentimentos, dores e demais percepções fisiológicas são estímulos internos. Se o estímulo que ocorre do lado de fora nos desgasta, o que ocorre dentro de nós consome nossa energia tanto quanto.
Ou seja, tudo o que consome um pouco da sua energia é um estímulo. Estudar, pensar, conversar, ouvir, cheirar, sentir e até olhar para as nuvens pode ser um estímulo que pouco a pouco finda suas energias.
Permanecer interagindo quando suas forças já estão exauridas pode despertar duas sensações, basicamente: o esgotamento ou o estresse. Bom, o esgotamento é: sentir-se sem energia para prosseguir, ter dificuldade em elaborar os raciocínios, em mostrar-se simpático e amigável e ficar emocionalmente confuso diante dos estímulos recebidos.
O superestimulo, em contrapartida, é sentir inicialmente uma grande facilidade em interagir socialmente. Se você nunca sentiu isso, imagine que é como tomar muito café: a princípio você fica eufórico, falante e muito ligado, um tempo depois você fica incapacitado de relaxar apesar de perceber o cansaço e o sono.
O superestimulo ocorre de forma bastante semelhante: é o estresse surgindo dentro de você. Ele surge de modo a te deixar mais reativo aos estímulos, então você consegue socializar mais, alternar entre atividades essencialmente estimulantes e assim você até acredita que passou a apreciar mais a interação social, mas depois de algum tempo você se sente incapaz de relaxar e qualquer evento externo ou interno causa uma super reação em você.
O ruim do superestimulo é que logo que ele surge, parece algo bem normal, é difícil percebê-lo, somente após algum tempo que você o percebe e aí essa sensação já pode ter te gerado algum inconveniente ou desconforto.
Sintomas do superestimulo:
Sentir-se à vontade no meio de muita gente;
Sentir-se mais confiante ou acuado;
Reagir mais rapidamente aos estímulos;
Sentir-se eufórico;
Ter suas emoções positivas intensificadas;
Falar mais e pensar menos;
Ter uma grande sensação de bem estar.
Quanto mais superestimulado você ficar, maior será a exaustão que irá surgir posteriormente. Porém os sintomas iniciais são muito bons e muito úteis em situações de socialização, por exemplo, então é muito provável que você se apegue a ele e exceda os seus limites acreditando que seus limites foram realmente ampliados. Depois vem o efeito rebote, que não se resume apenas a exaustão física: pode surgir exaustão psicológica e emocional. Você pode sentir muita dificuldade em se concentrar, em elaborar raciocínios complexos e alguma dificuldade com as suas emoções. Assim como os sentimentos positivos surgem de modo intensificado durante o superestimulo, os sentimentos negativos aparecem de modo desproporcional durante o esgotamento.
Sintomas do esgotamento:
Tristeza ou apatia;
Querer ficar sozinho;
Dificuldade em elaborar raciocínios complexos;
Dificuldade em concentrar-se;
Irritação;
Sonolência;
Reação emocional desproporcional aos eventos.
Descobrir o seu equilíbrio
Eu já passei muito por essa sensação de me perceber superestimulada e digo que ainda não sou totalmente eficiente em compreender quando estou recebendo os estímulos adequados e quando estou sendo estimulada em excesso. Por isso mesmo é importante compreender como você reage quando exposto aos estímulos convencionais, aqueles que você já está habituado, assim você pode adotar essa reação como sendo sua reação padrão, a reação que indica que você está bem. Quando você perceber que sua reação está indo além do seu padrão, fique alerta, pode ser que você esteja ficando superestimulado — ou pode ser que você tenha consumido muito café. rs
Descansar
Durante o superestimulo é difícil relaxar e se desconectar dos eventos externos porque nos sentimos inquietos e elétricos, mas é possível. Diminuir o estímulo que você está recebendo é fundamental. Ainda que você não possa se livrar de todos os estímulos, sempre é possível escolher quais são os mais importantes e quais são aqueles que você pode se afastar porque não estão te fazendo bem.
É preferível se afastar do que te estimula em excesso do que sucumbir ao desgaste. Tente descansar. Um cochilo nesse momento é perfeito. Se você não puder, tente uma tarefa mais tranquila como ler, ouvir uma música mais calma e ficar em silêncio.
Estímulo, extroversão e introversão
Um introvertido e um extrovertido são expostos as mesmas situações, por que um reage melhor a situação que o outro? Por que um precisa sair mais cedo da festa do que o outro? Por que um reage melhor quando várias coisas acontecem ao mesmo tempo do que o outro?
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A resposta está na sensibilidade ao estímulo. Todos nós precisamos de estímulos para nos sentirmos alertas e dispostos. Pouco estímulo nos deixa entediados e sonolentos, muito estímulo nos deixa demasiadamente alertas e inquietos. Segundo Hans Eysenck, introvertidos e extrovertidos diferem na sua sensibilidade ao estímulo. Enquanto música alta combinada com muita gente falando ao mesmo tempo pode ser superestimulante para um introvertido; essa mesma combinação pode gerar um estímulo confortável ao extrovertido, um estímulo que o faça sentir bem.
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