Criação x Atendimento. Um Clássico.

Há anos a Criação é inimiga do Atendimento, mas é amiga da Social Media, que é inimigo da Mídia pois não tem BV, que também é inimiga da Produção, que é amiga do Atendimento e da Criação. Tá lá o planejamento querendo ser amigo de todo mundo. E pobre do Tráfego no meio de tudo isso.

As pessoas já saem das faculdades com essa opinião. Que se ela é do Atendimento, não vai poder ser amiga da Criação, no máximo coexistir no mesmo espaço mas não pacificamente. Os professores que muitas das vezes estão por fora do mercado, apesar de estarem por dentro do acadêmico, reforçam o modelo do qual ouviram falar nos livros do Olivetto, Mendonça, Petit ou Periscinotto, principalmente esse último que trouxe o modelo vigente de agência dos EUA na época de MadMen. Os modelos mais atuais do mercado desestimulam a prática, mas não fazem o mínimo esforço para a rixa acabar. E quem fica penalizado é o processo.

O Atendimento acusa a Criação de não entender o que o cliente quer, de volta é acusado de não ser objetivo quanto as intenções do mesmo e que deixou de fora várias coisas de fora do briefing. Enquanto isso, o cliente espera. Então a Criação vai dizer que o Atendimento é incapaz de criar, e o Atendimento vai dizer que a Criação e incapaz de atender. O trabalho de Mídia tá esperando o processo se definir, a Produção também, o Social Media já lançou coisa, tirou do ar duas vezes, já estão ignorando a campanha offline que ainda vai demorar a sair e estão fazendo um monte de coisas que não vão casar com o que for lançado. E o cliente lá esperando. Foda-se.

O Processo burocrático das agências convencionais blinda ambas as partes nos processos internos, e deixa quem tá de fora esperando as múltiplas aprovações, só se atrasa. Pois quando a Criação e o Atendimento brigam, todo o processo fica lento. Pois sim, o Diretor de Arte e Redator, quando recebem o Job de uma Atendimento que não gostam, eles vão perder mais tempo olhando encontrando erros no briefing do que criando. Assim como o atendimento que não gosta de uma dupla vai deixar no briefing para interpretação o que puder deixar. A burocracia é instaurada desde o primeiro estágio, somando a isso a disputa de egos isso só vai demorar mais. E quando o processo dá errado, é fácil encontrar quem errou e achar culpados. Mas muito difícil de encontrar as resoluções para o cliente, para quem todos dentro do processo estão trabalhando teoricamente.

Isso com certeza você já sabe, você sempre soube.

E tem o que você sabe, mas não quer admitir. Que esse processo está errado há muito tempo.

Podem dizer que precisamos de Criativos com perfis de Atendimento, ou Atendimentos com perfis mais Criativos, realmente eu já vi isso funcionando em lugares que eu trabalhei. Mas acredito que a coisa é muito mais embaixo. Quando temos um médico Especialista, ele é antes de tudo Clínico Geral e soma a isso sua especialização.

Em agências de publicidade nos faltam os Clínicos Gerais. Alguns planejamentos tem se portado assim, mas são casos isolados.

Um Clínico identifica o problema e o envia a um especialista. O Cliente pede algo para a agência e enfrenta um processo burocrático. Cliente, Atendimento, Planejamento, Tráfego, Diretor de Criação, Dupla, Diretor de Criação, Tráfego, Planejamento, Atendimento, Cliente. Seria um dos meios mais simples de um pedido acontecer numa agência mediana. Existe uma cadeia inteira pra coisa acontecer, onde na verdade ninguém é responsável por nada além de fazer o seu trabalho. No caso de um Clínico ele é responsável por um apanhado geral, e cada especialista é responsável por seu processo, pois é função dele dizer ao paciente para visitar um especialista específico, só que cada um dos envolvidos continua se preocupando com o paciente.

Mas o que faltam mesmo é parar com as picuinhas bestas e pensarem no processo como um todo.