Ciúmes o monstro de olhos verdes

“Oh! Cuidado com o ciúme, meu senhor! Ele é um monstro de olhos verdes, que produz o alimento do qual se nutre! Esse chifrudo vive na alegre embriaguez de quem, tendo certeza de sua adversidade, não ama aquela que o trai, mas oh! que malditos minutos ele conta, esse que ama, mas duvida, mas ama perdidamente!” William Shakespeare
Em Otelo uma de suas peças mais famosas, Shakespeare, descreveu o ciúmes como o “monstro de olhos verdes”. Quem nunca sentiu ciúmes por alguém que atire a primeira pedra. Quando falamos de relacionamentos afetivos, o ciúmes geralmente é o sentimento que sempre vem a tona, é uma emoção extremamente comum entre nós reles mortais.
Há quem diga que está tal emoção é necessária nos relacionamentos, afinal, quem ama cuida. Realmente, quando se ama alguém, o cuidado e o querer bem da pessoa amada é inevitável. Porém, muitas vezes o ciúmes vem disfarçado de cuidado, preocupação e zelo excessivo, fazendo com que algumas relações cheguem ao fim.
Acredito que todos nós cultivamos um certo grau de ciúmes dentro de nós, devido ao fato, de sermos seres com sentimentos primitivos e estamos no processo evolutivo de inteligência emocional. Quando estamos em uma relação, sentimos a necessidade de cuidar e proteger o ser amado, pois em cada relação colocamos um pedaço de nós, nossos sonhos, objetivos, expectativas e principalmente o nosso amor, desejamos construir uma vida ao lado da pessoa, logo por sua vez, em um grau maior ou menor já sentimos ciúmes em algum momento da vida.
Porém, algumas pessoas são dominadas pelo “monstro de olhos verdes” e
acabam sufocando o seu parceiro (a) com o ciúmes exagerado, desejando controlar totalmente os sentimentos e comportamentos do outro.
Ciúmes é insegurança, imaturidade emocional, o sentimento em excesso faz mal pra quem sente e para quem é vítima.Tem gente que acha que sentir ciúmes é normal, e uma forma de demonstrar afeto, mas para expressar amor, não é necessário sentir ciúmes.
Talvez muitos discordem, mas ciúmes não é amor, mas sim, um sentimento primitivo de egoísmos e posse da liberdade individual de ir e vir sobre o outro. Para um relacionamento com qualidade, é preciso confiar na pessoa que está ao seu lado e ter maturidade emocional para não interferir na liberdade do outro. Amor é cuidado, mas não controle sobre a vida do ser amado.
Quem ama, cuida, confia, respeita a liberdade individual do outro, portanto, cuidado para não ser dominado pelo “monstro de olhos verdes”.

