Quem inventou o amor?

Quem inventou o amor? Não faço a mínima ideia. A única coisa que sei é que precisamos falar urgente sobre ele. E não do amor convencional que estamos acostumados a ver nas novelas, filmes, livros e afins, mas sim, do amor de verdade.

Em um belo dia de outono em Curitiba, me dei a oportunidade de falar sobre amor, em um curso: “como escrever cartas de amor” da Escola de Escrita (meu segundo lar). Foram 6 horas lindas, nas quais percebi como é necessário falar de amor e que vivemos em um mundo em que não sabemos amar de verdade.

Mas antes de você dar continuidade na leitura vamos fazer um exercício! Primeiro, esqueça tudo aquilo que você viu nos filmes de Hollywood, novelas, Disney, livros, etc… Esses amores são ilusórios. Tá, sei que é difícil de uma hora para outra esquecer tudo, mas que tal fazer isso apenas até chegar ao final deste texto? Combinado?!

Bom, agora que você apertou o botão de pause na sua mente com relação a tudo que já aprendeu até agora sobre amores ilusórios, te pergunto: será mesmo que a Cinderela ou qualquer outra princesa da sua preferência foram felizes para sempre com o seu o príncipe? Tenho certeza que você vai dizer, claro que não, sua boba!

Pois é, ninguém soube como foi o casamento da Cinderela depois de alguns meses, na ocasião em que o príncipe teve problemas para resolver no seu reino e lhe faltou tempo para dar atenção para princesa ou quando a Cinderela estava de TPM, ou até mesmo como foi a sua gravidez no momento em que ela se sentiu insegura se seria uma boa mãe. Enfim, esses e outros tantos contra tempos que acontecem na vida a dois e que afetam o dia a dia da relação, ninguém fala sobre eles, porque é muito mais fácil e rende mais comercialmente mostrar uma família tradicional brasileira, perfeita como um comercial de margarina.

E devido a isso, somos ludibriados a acreditar a vida inteira em um “felizes para sempre”, criamos muitas expectativas nos relacionamentos e a partir do momento em que a relação sai do que foi “planejado” a decepção e as frustrações são muito maiores. Vamos ser realistas, o felizes para sempre é muito tempo! Ninguém é feliz o tempo todo dentro de uma relação, e caso o seu namoro, casamento, noivado, rolo, PA ou o rótulo que quiser dar ao seu relacionamento, não der certo, “tá” tudo bem, porque você não é obrigada (o) a ficar com alguém que não te faz mais feliz. Amor é o tempo que se passa ao lado da pessoa e mesmo que não tenha durado para sempre, não significa que não foi amor.

Amor vai muito além do que amar uma outra pessoa, antes de amar alguém é necessário primeiro amar a si mesmo. Vivemos em busca do tal amor, mas fugimos do nosso amor próprio. Achamos que só seremos felizes para sempre se tivermos alguém do nosso lado, e juro que isso é a pior coisa que você pode fazer na sua vida. A sua felicidade jamais pode depender de outra pessoa.

As pessoas não tem inteligência emocional suficiente para ter um relacionamento. Boa parte das relações são construídas na base da dependência emocional, fazendo com que as pessoas deixem a sua individualidade de lado. E dai lhe questiono, quando o outro vai embora, o que você faz? Com certeza chora, e diz que não irá mais conseguir viver sem a sua metade. Desculpa, mas quem tem metade é só a laranja!

Outra coisa muito comum é iniciar uma relação achando que vai mudar o parceiro (a). Está errado. Afinal, ninguém muda ninguém, isso é uma ilusão. Só temos o poder de mudar a nós mesmos e não o outro.

Vivemos no momento das relações impulsivas, vazias, ilusórias e que na maioria das vezes são apenas para alimentar o próprio ego. O desespero é tanto para ter um amor e chamar de seu, que cada dia aparece um novo aplicativo de relacionamento. Aliás, nada contra aos aplicativos, mas você já parou para pensar que nos submetemos a ser uma mercadoria de supermercado, no qual você escolhe conforme a embalagem mais bonita, faz uma compra por impulso e mais tarde pode até gerar arrependimento. Além disso, hoje em dia os relacionamentos também são pautados através do seu status do Facebook, as pessoas acham que sabem muito da sua vida devido ao status de solteiro, noivo, casado ou das fotos da vida “perfeita” que você posta na sua timeline.

Por isso sou uma defensora do amor próprio, pois quando nos amamos não permitimos sermos apenas mercadorias baratas e sabemos que para sermos felizes não precisamos que um outro alguém cruze o nosso caminho. Além do amor próprio, um bom relacionamento deve ter inteligência emocional, no qual ambos tem coisas a agregar na relação e que os problemas do dia a dia sejam lidados com maturidade e façam ambos crescerem como pessoas.

Quando falo de amor, não quero dizer apenas de uma relação entre duas pessoas que envolve sexo, beijos, desejo, atração e romance. O amor é tão TUDO, que acabamos restringindo ele a apenas duas pessoas, e ele vai muito além disso. Todas as relações amorosas que vamos construindo ao longo da vida como amizades, convivência com pai, mãe, filho, irmão, dentro outros, também são amores e que precisam ser vistos como tal.

Se você chegou até aqui, fico feliz! Talvez você tenha concordado com as coisas que falei ou só com algumas ou até mesmo com nada e ta tudo certo, porque cada pessoa pensa de um jeito e no momento o que escrevi é o que penso sobre o amor, baseado nas minhas experiências dos amores da vida e de como eu vejo o mundo. Pode ser que daqui alguns anos eu leia esse texto novamente e tenha uma outra opinião formado sobre o amor. Acho importante termos flexibilidade relacionado aos nossos pensamentos, porque com o passar dos anos ganhamos mais maturidade e nossa opinião muda, tenho certeza que a pessoa que fui há 10 anos atrás, talvez não concordaria com as coisas que escrevi e isso não é ruim, afinal o mundo está em constante mudança o tempo todo.

Depois dessa pequena divagação sobre o amor, contínuo não sabendo quem o inventou, mas certamente foi uma das invenções mais lindas que alguém já criou.

“Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
 Que não seja imortal, posto que é chama
 Mas que seja infinito enquanto dure” (Vinicius de Morais)

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