INVERNO

Oi.
Pensei em te mandar um “oi sumido“, mas apaguei e re-digitei umas cinco vezes. Tão ridículo começar a conversa assim, né? Acho que só o “oi” já deixa na cara que eu quero puxar qualquer assunto aleatório com você. Sem razão alguma… Mentira. Quem eu to tentando enganar? Você sabe que tem alguma segunda intenção subentendida, mas deixa quieto. Por agora, só queria que você respondesse e que por um segundo deixasse de ser sumido.
Talvez quando o efeito dessa garrafa passar eu me arrependa. Entre tragos e estragos, I will survive. Mas te confesso que aquele último traguinho foi um tanto mais que um traguinho. E bateu. bateu onda, bateu saudade, bateu aquele eterno pensamento das noites de sexta-feira: porque entre nós não bateu?
Eu tenho tantos porques na minha cabeça. E tenho um não para cada um deles. Tenho todas as respostas para minhas perguntas mas insisto em perguntá-las de novo, esperando que o futuro me rebata com uma nova réplica ou tréplica. Mas o tempo media esse debate sem piedade, e eu não sou um dos candidatos mais coerentes. Passo, repasso e ultrapasso meus limites. Mas sempre termino levando torta na cara.
Sigo insistindo em novas provas dos nove até provar que dois e dois são cinco. Mas a matemática e o destino não erram e continuam dizendo que quatro é a resposta pro meu problema. Mas, e daí? Eu sou de humanas mesmo. Não sei fazer contas nem acredito em deuses controlando meu amanhã. Talvez seja por isso que cometo tantos erros. Em minha coleção de equívocos, numéricos e homéricos, um errinho a mais não fará mal.
Fevereiro ainda tá tão longe. As fantasias deveriam estar guardadas. Porque já estou vestindo essa vontade de te ver? Cada glitter que encontro em minha pele me recorda uma lembrança de algo que ainda nem vivemos. Mas que poderíamos. Ou podemos?
Tudo bem, nós dois já sabemos a resposta. Estamos em junho, tá frio lá fora e todos estão presos em suas tediosas rotinas. Todo carnaval tem seu fim. E nossa história nunca passa de abril. Nunca trocamos chocolates na Páscoa ou presentes no Natal. Mas quem sabe o que acontecerá no próximo janeiro?
Quantos mais “mas“, mais eu insisto nos ‘e se‘s. Acredito que pontos finais são só bolinhas redondas que com uma simples rasura se transformam em vírgulas. Um bom escritor tem muitas alternativas para mudar o rumo de um um conto que não começou nem com “era uma vez” nem terminou com “e foram felizes para sempre“.
Você tá feliz? Espero que sim porque acabei de lembrar do seu sorriso, e fiquei com aquela mesma cara abobalhada que eu sempre tento esconder, mas não há tempo. É algum tipo de resposta química imediata do meu corpo ao seu. Parece como aquelas experiências do Programa da Eliana. Não sei explicar, não sou bom em entender fenômenos. Por isso tento compreende-los em versos cortados com tesoura sem ponta.
Pouco me importa saber como o seu sorriso pode influenciar o clima de toda uma cidade. Eu só sei que ele influencia como eu sinto o clima de toda a cidade. Porque todos os dias com você foram de verão. E não posso mais esperar pelos dias que virão.
Mesmo que eu saiba que eles nunca virão.
“One day baby, we’ll be old
Oh baby, we’ll be old
And think of all the stories that we could have told“
