A escolhida do Axl Rose: minhas memórias favoritas do Rock in Rio

Por Cuca Lazzarotto


Em 1985, nascia o primeiro grande festival de rock do Brasil e da América do Sul: o Rock in Rio, na Cidade do Rock. Foram 160 shows e 1186 músicas tocadas naquela edição. Eu era adolescente e tinha 17 anos, o que para mim significava já ter idade suficiente para ir ao festival, mas não para os meus pais, que não permitiram que eu fosse. Assisti ao que pude pela TV.

Lá se foi minha chance de ver de perto o show do Queen, entre tantos outros — como os gringos Rod Stewart, James Taylor e AC/DC, e os nacionais que eu sempre gostava de assistir, como Rita Lee, Paralamas do Sucesso, Gilberto Gil, Barão Vermelho, Kid Abelha e Blitz.

Adoro shows, nem importa se é da banda que mais gosto. Música é sempre um grande espetáculo, é diversão garantida.
“Música é sempre um grande espetáculo” , diz Cuca— (Ana Shiokawa)

Naquela época, eu sequer imaginava que um dia cobriria um festival de música, ainda mais um Rock in Rio. Mas, em 1990, minha vida deu uma guinada: virei apresentadora do único canal jovem e segmentado do Brasil, a MTV. Um ano depois, aconteceu o segundo Rock in Rio, desta vez no Maracanã — e aí poderia ter sido a realização de um sonho, já que eu era VJ e trabalhava com música. Porém, não fui escalada para cobrir o festival. O Brasil fervilhava mais uma vez — e DE NOVO eu não pude assistir ao vivo a shows tão desejados como os de Prince, George Michael, INXS, Joe Cocker, Lisa Stansfield, A-ha (o campeão de público daquela edição), Jimmy Cliff, Faith No More, Lobão, Sepultura e tantos outros.

O único show que vi, e nem era o que eu mais queria, foi o do Guns N’Roses, que naquele momento era uma das bandas de maior sucesso mundial e estava em sua primeira passagem pelo Brasil. A mídia em peso queria a chance de entrevistar o líder do grupo, Axl Rose.

Ocupando o posto de maior pop star daquele momento, Axl se deu ao luxo de escolher com quem falaria no Brasil — e era óbvio que escolheria um veículo familiar ao grupo: a MTV. Só que ele foi além e escolheu COM QUEM da MTV iria falar, deixando bem claro que só daria entrevista a uma VJ até então quase desconhecida: eu. Lá fui eu falar com o cara.

Não fui sozinha — precisávamos de uma grande entrevista e o Zeca Camargo, que na época apresentava o MTV News, foi comigo. Juntos, conversamos com Axl logo depois do show no Rock in Rio e com a banda em um outro momento. Assim, a MTV foi o único veículo a entrevistar o Guns N’ Roses e eu fiquei conhecida no Brasil todo.

“O melhor show que já fiz”: Axl Rose sobre a apresentação do Guns N’Roses no Rock in Rio de 1991 — (Reprodução)

Essa história marcou pra valer a minha vida e a minha carreira. Porém, o melhor ainda estava por vir: o Rock in Rio 3 — Por um Mundo Melhor. Aí sim fui escalada para cobrir o festival, desta vez para a DirectTV, que naquele ano de 2001 fez uma cobertura histórica, levando ao ar em 3 canais consecutivos todos os shows do festival, na íntegra. Foi maravilhoso, um time de primeira cobrindo o maior festival de música do mundo.

Esta edição inovou mais uma vez ao trazer diversos palcos, onde se apresentaram 160 artistas nos sete dias de festival. Eram várias equipes de cobertura espalhadas pela Cidade do Rock e eu estava escalada para cobrir o Palco Mundo, que era o principal.

Um dia antes do festival, pude assistir à passagem de som do Sting e do James Taylor no finzinho da tarde. E, além de finalmente conseguir acompanhar os shows do Rock in Rio, foram muitos os artistas que tive a oportunidade de entrevistar.

Com Gilberto Gil e Nana Caymmi — (Arquivo pessoal)

Falar com Gilberto Gil e Nana Caymmi juntos foi praticamente um ritual, uma bênção. Dois astros da música brasileira, tão brilhantes e humildes ao mesmo tempo. Depois vieram muitos outros: Bruce Dickinson, do Iron Maiden; Dave Matthews; Moraes Moreira; Tom Zé; Pepeu Gomes; Kid Abelha; John Frusciante e Chad Smith, do Red Hot Chilli Peppers; Carlinhos Brown; Nelson Motta; Sepultura

Cuca entrevista, na ordem: Carlinhos Brown; Sepultura; Nelson Motta; Moraes Moreira; e Dave Matthews Band — (Arquivo pessoal)

Todas estas entrevistas foram conseguidas na unha, na raça — Dudu Monsanto e eu fizemos nossa mágica pra que tudo acontecesse. Foi esse mesmo cara, o Dudu, que eternizou em uma foto um encontro memorável na minha vida. Não houve entrevista, bate-papo, nem nada, mas se fosse nos dias de hoje essa seria uma selfie e tanto: Jimmy Page e eu.

Com Jimmy Page, ex-guitarrista do Led Zeppelin — (Arquivo pessoal)

O que mais dizer? O Rock in Rio 3 trouxe pela primeira vez ao Brasil o R.E.M. e Neil Young, dois shows marcantes para mim.

O show do R.E.M. foi um dos mais lindos do festival e eu assisti “de camarote”. Fui a única pessoa na coxia do palco. Eles sequer permitiam alguém ali, mas eu consegui e vivi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Pena que não tinha uma câmera comigo e, portanto, não tenho como dividir com vocês estas imagens guardadas na memória, que até hoje me emocionam: a banda, feliz da vida, no palco, tocando, cantando e tomando caipirinha, desacreditando naquele público de quase 300 mil pessoas que cantavam todos os grandes hits. Foi incrível!

O show do Neil Young, que eu também assisti na coxia, foi igualmente incrível. A banda queria tocar sem parar, olhava para o técnico de som e pra equipe como quem diz “vamos seguir em frente”. E assim o fizeram, umas três vezes, pelo menos. Estavam empolgadíssimos com um público apaixonado e nem se importaram com o grande número de fãs que estava no palco: eu e uma galera da produção e direção da DirectTV e do festival.

Foram dias de muito trabalho, de muito cansaço e de muita alegria. Adoraria fazer tudo de novo! Rock in Rio, me chama?


Ouça as músicas que marcaram os dias de trabalho e alegria da Cuca no Rock in Rio nesta playlist do Deezer:


Música muda o mundo. É por isso que o Itaú apoia o Rock in Rio, o maior festival de música do mundo. A edição deste ano acontece entre 18 e 27 de setembro. Confira o line-up e mais informações.


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