Crise: uma possibilidade de enriquecimento pessoal

Crise ou oportunidade? A psicoterapeuta Vera L. Couto mostra como conflitos econômicos e pessoais podem se transformar em oportunidade para enriquecer o nosso próprio conhecimento ;-)

Uma das palavras mais usada nos últimos tempos é crise. Usada no sentido de um momento difícil, perigoso.

A etimologia da palavra crise, no entanto é bem diferente. Ela vem do grego, Krísis, que significa, entre outras coisas, a ação de separar, discernir. Está ligada ao verbo Krinó, que significa: discernir, distinguir, reparar, escolher, julgar, avaliar, etc.

Gosto muito da ideia de buscar na etimologia da palavra uma fonte para reflexões.

Uma reflexão possível é considerarmos a crise (no sentido grego) como um momento para avaliarmos nossos valores, nossas ilusões, nossas crenças e nossas idéias disfuncionais. Um profundo exercício de discernimento e avaliação sobre nossa saúde econômica. Pode ser uma oportunidade para reparar falsas expectativas, rever conceitos que estão equivocados e fugir do imediatismo. Um ato possível.

Há um grande sofrimento psicológico quando estamos vivendo problemas financeiros. Nossa saúde financeira interfere e muito em nossa saúde física. Podemos ficar com depressão, termos problemas estomacais, cardíacos, etc. Assim como uma úlcera não me exclui da convivência com o outro, mas exige uma dieta; o restabelecimento da saúde econômica também exige uma “dieta”, para melhorar o estado geral. A sugestão é nos relacionarmos com a saúde monetária da mesma maneira que cuidamos de um desconforto físico. Sem o menor constrangimento.

Já presenciei vários relatos de pessoas passando por problemas financeiros que estavam com depressão e depreciação de si mesmo, sentindo-se incapaz e com dificuldades de vislumbrar alternativas e novas possibilidades.

Creio que esse pode ser um momento para pararmos e nos perguntar: que caminho percorri e que falhou? Onde errei a mão da minha saúde financeira? Confesso que não é fácil encararmos essas perguntas. Diria que é um exercício de humilhação. Mas a palavra humilhação também tem proximidade com a palavra humano. Então um exercício de humanização. Não há contraindicação.

Nesse exercício nossas vaidades podem sofrer uma derrocada. E é justamente aí que temos a oportunidade de enriquecer o conhecimento de nós mesmos. Que paradoxo.

É muito comum termos uma enorme frustração. Conosco. Nossa vaidade ficará ferida. Um equívoco muito comum é balizarmos nossa identidade pelo ter e não pelo ser. Se tenho alguma coisa sou isso ou aquilo. Se deixo de ter acho que não sou nada.

Também tenho ouvido muito a frase “tenho que começar do zero”. Penso que talvez a situação peça para zerarmos. Zerar o que? Zerar falsas expectativas, zerar falsas ilusões, zerar as idéias disfuncionais e aprender que nossa qualidade de vida não deve estar relacionada com nosso poder de compra, mas sim com nossa capacidade de discernir quais são nossas reais necessidades, o que nos norteia. Repito: é uma possibilidade de enriquecimento pessoal, de empoderamento. Aquele tipo de enriquecimento que não perco nem num naufrágio.

Façamos nossas “krísis”, façamos atos de discernimento.

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