Do alto de uma janela, um jeito novo de contar histórias

Comemora-se todo 20 de março o Dia do Contador de Histórias. A arte de narrar fatos e fábulas do mundo é uma expressão artística milenar da humanidade. Em São Paulo, uma trupe de atores-palhaços descobriu uma nova forma de contar uma história: reunir uma trupe de palhaços divertidos, narrando causos de uma janela na beira de um viaduto.

Itaú
Itaú
Mar 17, 2016 · 5 min read

Imagine uma mocinha que mora num prédio barulhento, mas que se imagina como uma princesa em um castelo. Ou as histórias de duas vizinhas fofoqueiras, e também o absurdo de um palhaço que deu vida ao casaco de sua amada. Essas são algumas das historinhas contadas no espetáculo Esparrama pela Janela, que volta em cartaz na capital paulista.

A particularidade desse espetáculo em narrar essas lendas é o motivo de nossa celebração do Dia do Contador de Histórias. Essa trupe de atores, especializados na linguagem clown (palhaço), apresenta-se de uma janela na beira do Minhocão, o viaduto que rasga a zona central de São Paulo. Inicialmente apresentado em 2013, o espetáculo volta para mais uma temporada após o burburinho do público, da crítica e de premiações.

“Quando a gente monta uma história na rua”, explica o diretor do espetáculo, Iarlei Rangel, “a gente tem que ter um contato com público que é muito próximo da contação de história: olho no olho, para que o espectador tenha um contato mais próximo com nossa história. No teatro convencional não tem isso”.

Iarlei faz um comparativo entre a contação de histórias (“um gênero por si só”), e o palco do teatro tradicional. “No teatro você tem outras formas para direcionar o público: luz, música, um foco mais claro na cena, pois as pessoas estão sentadas olhando no espaço. Na rua você está concorrendo com outras 1000 possibilidades. Nesse sentido a gente faz uma contação de histórias diferente”.

Essas possibilidades de distração do público são, no caso do Minhocão, os transeuntes passeando, a rapaziada jogando bola, andando de bicicleta, passeando com o cachorro. De noite e aos fins de semana, o Minhocão é fechado para os carros e transforma-se em uma espécie de parque, momento em que o Esparrama pela Janela toma palco na janela do apartamento onde morar o diretor do espetáculo.

É um tipo inusitado de teatro e de contação de histórias, divertido, colorido e que atenta a questões bem atuais de urbanismo e ressignificação do espaço público, diz Iarlei. “O palhaço é um personagem que demanda proximidade. A gente tinha medo de os 12 metros de distância entre a janela e o viaduto atrapalharem isso. Se o pessoal ia conseguir nos ouvir, por exemplo”.

Ajustes feitos, a peça estreou e foi um sucesso, retomado agora em 2016 no mês de março. Devido às chuvas, ou a possibilidade delas, o público pode ser hesitante. “Já nos apresentamos sob chuva torrencial e tinha umas 30 pessoas que não arredaram pé de lá, com guarda chuva! Nosso último espetáculo teve 350 pessoas, uma mostra de como as pessoas gostaram do nosso formato, das nossas histórias”, celebra o diretor da trupe.

Pelo “Esparrama da Janela”, a trupe recebeu os prêmios FEMSA de Teatro Infantil , o mérito da Cooperativa Paulista de Teatro e mais recentemente o Prêmio Zé Renato. O espetáculo foi agraciado também com o apoio do Rumos do Itaú Cultural em 2015, e transformou-se no projeto “Janelas do Minhocão”.

Com o apoio do Rumos, Iarlei conta que sua trupe de palhaços e atores da janela conseguiu desenvolver melhor as performances, as estruturas e, principalmente, a profundidade da

pesquisa do espetáculo. “O Rumos permitiu a gente ter um tempo mais longo para que nossa pesquisa se estabelecesse com maturidade: firmar a ideia, esticar o projeto, entender suas estranhas… Isso exige tempo, dinheiro e muita calma”, explica Iarlei, que diz como o “Janelas do Minhocão” conseguiu tocar ainda mais em “assuntos da cidade”, com o auxílio de mais profissionais talentosos.

Ainda no sentido da contação de histórias, o diretor explica que a linguagem do palhaço no teatro é fixa, apesar de espontânea. “O espetáculo tem um roteiro fixo, uma ordem, cada ator tem uma função, isso não muda. Mas os atores são espertos e eles percebem quais momentos o público se interessam mais, e aumentam um pouco uma cena, uma piada. Ajustes que são feitos na hora”, analisa Iarlei, ainda em paralelo do ato teatral com a contação de histórias.

Iarlei diz ainda que sua trupe é muito amiga do pessoal da Operação de Riso, famosa por contar histórias para pacientes em hospitais, e que isso influencia seu espetáculo. “Em alguns momentos utilizamos essa linguagem de contar histórias para os pacientes. Evocamos uma história deles e trazemos para dentro do espetáculo”.

Celebrados por sua nova forma de contar histórias com o gênero teatral, o Grupo Esparrama está com um novo projeto no gatilho, um novo espetáculo que aprofundará essa relação narrativa com a cidade.

Sem dúvidas, um jeito novo de contar histórias, não é mesmo? Aproveite para viajar pelo mundo da fantasia com outros textos que preparamos para você:

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