O poder da música (e de uma road trip para o Rock in Rio)

Por Leo Madeira


Grandes compositores, autores de grandes canções, certamente sabem brincar o jogo das expectativas.

Você já se perguntou como a música consegue ser capaz de emocionar, inspirar e colorir a nossa percepção da maneira que consegue? O que há de especial nessa sucessão de ondas que se propagam, deslocando ar pra lá e pra cá? E que, quando encostam e estimulam nossos tímpanos, disparam em nós toda sorte de sensações e memórias? Que ganham no nosso mundo subjetivo essa dimensão ordenada e sublime, carregada de imagens e significados, que chamamos de música?

Eu suspeito que tudo isso tenha a ver com o senso de surpresa.

Alguns psicólogos e neurocientistas que estudam a cognição, como Daniel Levitin, David Huron e Oliver Sacks, já discorreram sobre o tema.

O que há em comum em suas pesquisas sobre os aspectos cognitivos da música geralmente aponta para a dinâmica da tensão-liberação (tension-release), as variações da melodia, do tom, volume, ritmo, etc. como — pelo menos em parte — responsáveis por disparar estados emocionais tão intensos quando ouvimos “aquela” música especial.

É, basicamente, um jogo de expectativas.

A canção é construída sob uma tal lógica, até que sofre um súbita alteração, seja por um acorde dissonante (ou uma sequência deles), um timbre novo, uma batida mais alta. O domínio das expectativas foi rompido, um momento de tensão foi criado, até que a canção retorna pra sua “ordem” anterior e nossos anseios são saciados — nosso aparelho cognitivo, moldado por milhões e milhões de anos de seleção natural, mutações e adaptações, é recompensado por ter “entendido” esse andamento sinuoso da linguagem musical.

A música, assim como a vida, é esse jogo de expectativas e realizações (ou não) delas. E o Rock in Rio é um outro microcosmos, outro palco pra esse emocionante ping-pong lírico-afetivo.

Nos dois primeiros, eu passei longe de ir. Era um menino magricela que curtia decorar a capital dos países em um; um pré-adolescente ansiando por virar logo um adulto em outro.

O que não me impediu de guardar na lembrança imagens de momentos absolutamente clássicos da história do festival captados em fita, como alguns trechos dos shows do Queen, Paralamas do Sucesso, Guns N’ Roses e tantos outros.

Foi só no Rock in Rio III que eu, aí já um cidadão independente e autônomo, consegui finalmente realizar aquele sonho incrível, alimentado justamente pela expectativa de fazer parte do público do festival que povoou o imaginário de uma multidão de jovens brasileiros por tanto tempo.

Foi uma das viagens mais legais da minha vida.

Saí de São Paulo de carro, percorrendo a Dutra acompanhado dos meus melhores amigos, movido por uma inocência e uma ansiedade inesquecíveis, pelo amor pela música, por um sonho de liberdade, pelos significados e vivências que só uma road trip como aquela poderia trazer.

E aqueles shows de Red Hot Chili Peppers, Neil Young, R.E.M. e Dave Matthews Band, entre outros, vão sempre fazer parte da minha história, surpreendentes em tantos aspectos, experiências que superaram muito as expectativas de um jovenzinho inocente.

Era um mundo novo que surgia pra mim, algo que eu nunca nem havia podido imaginar antes.

Rock in Rio é assim: grandes esperanças da melhor qualidade.


Curta nesta playlist do Deezer as músicas que mais marcaram o Leo no Rock in Rio III. Vale para a sua própria road trip ou para ouvir em casa mesmo.


Música muda o mundo. É por isso que o Itaú apoia o Rock in Rio, o maior festival de música do mundo. A edição deste ano acontece entre 18 e 27 de setembro. Confira o line-up e mais informações.