Cada momento conta: 10 dicas para andar de bicicleta com as crianças

Este texto é parte de uma série de posts sobre as várias maneiras de educar. Do uso da bicicleta nas cidades, passando pela alegria de ler para uma criança até a força da arte como uma nova visão de mundo porque, para aprender, cada momento conta! Seja bem vindo(a) um mundo de inspiração ;-)

Taciana Barros e Rachel Schein se inspiraram nas pedaladas da infância para mostrar tudo o que as bikes têm a ver com educação. E fazem um convite: vamos voltar às ruas com os pequenos?

Por Estúdio Voador

Pedalar na infância é tão bom que, quando a gente pedala hoje, lembra das primeiras grandes sensações no selim: o vento no rosto, o desafio de manter o equilíbrio, a alegria de deixar as rodinhas para trás.

Façam um teste e perguntem para os amigos. Nós fizemos. Perguntamos para Taciana Barros, líder do grupo de rock para crianças Pequeno Cidadão, quais eram suas melhores lembranças sobre duas rodas.

“Eu pedalo desde meu velotrol cor de laranja! Joguei fora a chupeta e em troca eu ganhei ele”, ela conta. “Sou de Santos e sempre fui para a escola de bike, mesmo quando era de rodinhas, com minha mãe a pé ao lado.”

“Só no dia em que as crianças puderem ir pedalando para a escola é que teremos cidades realmente seguras.” — Rachel Schein.

Então, Taciana, o que a bicicleta ensina para as crianças? “A bike te ensina a ficar esperto, a ficar tranquilo, a ter paciência, a ficar atento, a manter o equilíbrio, a se relacionar com os outros, a respeitar a todos e principalmente os mais frágeis, no caso, os pedestres. A bike te ensina a ver e viver a cidade, a observar, a ser gentil, a trocar sorrisos.”

A videomaker e cicloativista Rachel Schein, do blog Página da Rachel, adora falar sobre experimentar a liberdade das bikes na infância. “Lembro muito da minha primeira bicicleta”, ela diz. “Eu ia todo final de semana para o Guarujá e ficava zanzando para lá e para cá a tarde inteira. Naquela época não tinha tanto carro nas ruas e as ruas na Enseada eram de terra. Ia pra casa de uma amiga e sumíamos de bicicleta por aí.”

“A bike te ensina a ficar esperto, a ficar tranquilo, a ter paciência, a ficar atento, a manter o equilíbrio, a se relacionar com os outros, a respeitar a todos e principalmente os mais frágeis, no caso, os pedestres. A bike te ensina a ver e viver a cidade, a observar, a ser gentil, a trocar sorrisos.” — Taciana Barros.

Hoje, ela entende a força do poder transformador das bikes assim: “Essa relação de cidadania, de se colocar no lugar do outro, de cuidar do menor, nenhum outro meio de transporte proporciona. Apesar dela ser um meio de transporte individual, te faz pensar muito no coletivo e acho que é por isso que o movimento da bicicleta ganhou tanta força nos últimos tempos.”

Taciana e Rachel foram unidas pela paixão pelas bicis. As duas pedalam com os filhos por São Paulo e sonham com mais crianças andando de bicicleta em segurança pelas cidades brasileiras.

Querem inspiração? Taciana compôs com Edgard Scandurra a música Bici Bike Magrela para mostrar para pais e filhos como a cidade fica mais alegre e mais bonita com as ciclovias e com mais gente nas bikes. Ela ainda preparou para vocês uma lista com Bici Bike Magrela e mais 10 músicas que ela adora e que falam de… bicicletas, claro!

Todos inspirados com a lista da Taciana? Então aproveitem as 10 dicas que Rachel propôs para vocês começarem a pedalar com as crianças, sentir o vento no rosto, conhecer melhor a cidade e sempre respeitar o pedestre.

#1. Quando começar?

Escolham o domingo para começar ou para testar os possíveis caminhos. É o dia de lazer. As pessoas estão geralmente mais calmas e há menos carros nas ruas.

#2. Antes de pedalar

Verifiquem os freios, pneus e altura do selim. O ideal é que a criança quase estique a perna ao pedalar, mas algumas se sentem mais seguras na hora de parar. Respeitem a vontade dela.

#3. Capacete

Usem capacete para minimizar lesões nas possíveis quedas.

#4. Segurança

Vejam onde vocês se sentem mais seguros pedalando com as crianças. Muitas vezes não há ciclovia, às vezes vocês vão encontrar uma ciclofaixa mas têm a sensação de que as crianças estão muito perto dos carros ou que os carros estão correndo demais. Ou que as crianças ainda não têm equilíbrio suficiente para pedalar ali. Se precisar, não hesite e coloque-as na calçada. A segurança das crianças vem em primeiro lugar.

#5. Na calçada.

O Código Brasileiro de Trânsito permite pedalar nas calçadas onde houver autorização e sinalização ou em casos excepcionais. Pedalem em velocidade compatível e deem preferência sempre aos pedestres. Não buzinem e não ensinem a criança a buzinar para eles. Geralmente pais e mães pedalando com crianças na calçada são compreendidas pelas pessoas que estão ali. Atenção para as saídas de garagem.

#6. Na ciclofaixa (aquela que não tem divisão física e fica encostada num dos lados da rua)

Ensine seu filho a pedalar em linha reta e a não virar repentinamente. Cuidado nas esquinas onde os carros fazem as conversões. Ensine seu filho a olhar (mesmo que você esteja olhando) e sempre sinalize suas intenções, mesmo ao continuar reto. Fique entre ele e os carros em movimento e faça a proteção nas conversões. Se perceber que o motorista não os viu ou não vai parar, avise, seja na buzina trim trim ou no grito mesmo (as vezes gritar não é falta de educação,mas instinto de sobrevivência). Na dúvida, pare e espere.

#7. Na ciclovia (aquela segregada, que fica geralmente no canteiro central)

É onde dá para pedalar com mais tranqüilidade. Vá atrás da criança, sempre em linha reta. Cuidado nas conversões.

#8. Nas ruas

Algumas vezes vocês vão precisar pedalar em ruas que não tem ciclovia. Escolham as que tem menos movimento ou que a velocidade máxima seja 30 km/h (as chamadas zonas 30). Nesse caso, pedalem sempre entre a criança e os carros em movimento, um pouco atrás dela. Cuidado com os carros parados: dentro deles pode ter algum motorista distraído que abre a porta enquanto vocês estão passando. Por isso, é importante que vocês não se espremam no canto e ocupem uma faixa de rolamento, preferencialmente a da direita. Uma prática adotada por cadeirantes que usam as handbikes (aquelas bikes mais baixas que são pedaladas com as mãos) é colocar uma haste com uma bandeirinha para que ela fique na altura dos olhos do retrovisor do motorista.

#9. Para onde olhar?

Algumas ciclofaixas são bidirecionais, ou seja, nem sempre vocês vão pedalar no sentido dos carros. Nesse caso, cuidado redobrado porque tanto os motoristas que saem das garagens quanto os pedestres costumam olhar apenas para o lado de onde vem os carros.

#10. Bike Anjo

Se precisarem, chamem um Bike Anjo. A rede Bike Anjo está em muitas cidades brasileiras. Se não tiver na cidade de vocês, um amigo que pedala há mais tempo pode ajudar.

Para os motoristas
“Protejam nossas crianças escoltando-as. Aguardem para ultrapassar devagar e respeitando a distância de 1,5m. Não buzinem. Suas buzinas vão assustá-las”, explica Rachel.
Para os ciclistas
“Reduzam a velocidade e tenham cuidado ao ultrapassar as crianças nas ciclovias e ciclofaixas. Vamos praticar com as crianças o que nós queremos que os motoristas pratiquem conosco, afinal o maior cuida sempre do menor”, ela sublinha.

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