Como o Cleiton viajou de bike pela Europa

Nada de avião, trem ou carro: ele escolheu viajar mais de 600 km pelas grandes cidades da Europa… Pedalando!

Começando com o pedal direito: Cleiton exibe a bike devidamente equipada para a longa viagem na saída de Amsterdam, na Holanda / Foto: Arquivo pessoal

Uma viagem de 20 dias pela Europa, passando por 8 cidades entre Holanda, Bélgica e França. Já parece incrível, né? E se for de bike? Foi o que o Cleiton fez quando se mandou sozinho para Amsterdam, em agosto de 2014, e pedalou mais de 600 quilômetros até Paris. “Acabei conhecendo lugares incríveis, por onde nunca passaria em uma viagem convencional”, diz o programador visual gaúcho, de 32 anos, que hoje mora em SP.

Ele pedalou, em média, 80 quilômetros por dia, mas em alguns chegou a percorrer até 120 quilômetros. “Geralmente eu começava às 9h30 e ia até umas 18h, 19h, parando na cidade mais próxima para dormir”. Haja energia!

À esquerda, o primeiro moinho avistado na Holanda; à direita, parada na Antuérpia, na Bélgica / Fotos: Arquivo pessoal

E haja também, segundo o biker, muito cuidado e organização, desde a hora de traçar o percurso até a de fazer as malas corretamente. “É preciso ter bagagem especial para transportar a bike (sim, eu levei a minha do Brasil!), alforge impermeável para acoplar a bagagem na bike, roupa pra chuva, bomba de encher pneu, capacete, luzes, jaqueta corta vento e impermeável, calçado, toalha, chave de roda, etc. Tudo isso pode acabar até tornando a viagem de bike mais cara do que uma viagem convencional”, explica.

Apesar disso, os benefícios valem o desafio.

“Como fiz todo o percurso sozinho, tive tempo de fazer uma grande reflexão e análise da minha vida. Sem contar que voltei mais em forma e com uma bagagem cultural sem igual”.

Cleiton também destaca como pontos positivos de uma viagem de bike a autonomia que a pessoa ganha para fazer tudo no seu tempo — sem depender dos horários de aviões, trens ou ônibus—e a perspectiva única que o trajeto oferece. “A chegada em Paris, por exemplo, me fez lembrar do bairro do Brás, em São Paulo — muito diferente do que se vê nas partes turísticas”.

A chegada triunfal à Torre Eiffel, no coração de Paris, na França / Foto: Arquivo pessoal

É claro que, para se aventurar numa dessas, o ideal é já ter familiaridade com a bicicleta. O Cleiton, no caso, é amigo delas desde a adolescência, quando ainda morava em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e ia de magrela para a escola e para os “rolês” com os amigos. Em São Paulo, adotou a velha amiga como meio de transporte oficial há cerca de 5 anos, quando ganhou uma de presente—o que reacendeu a paixão antiga. “Hoje tenho duas bikes: uma mais equipada para percursos longos e outra que era do meu pai, comprada há mais de 35 anos, que acabei de restaurar. É o meu xodó”, conta.

E, se a experiência pedalando na cidade contou muito na hora da Eurotrip, o inverso também é verdadeiro: o que ele observou lá na Europa ajudou a fortalecer ainda mais seus conceitos sobre a importância da mobilidade urbana aqui no Brasil.

“Em Amsterdam, onde quase todos andam de bike, dá pra notar a diferença no alto astral e na energia das pessoas. Acredito que 80% disso é graças à bike”.

“Com as novas ciclovias em São Paulo, está cada vez mais fácil e seguro se deslocar de bicicleta. É nosso trabalho educar a sociedade, pois a partir do momento em que todos respeitarem a bike como meio de transporte, teremos muito mais ciclistas nas ruas, mais estrutura, mais segurança e menos estresse no trânsito”, finaliza.


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