Fotografia
em sala de aula

Guilherme Pacheco, Yule Barbosa, Jorge Sato e Nágila Polido


Depois das palestras, foram realizadas duas atividades de bate papo com o público. Na primeira delas com o tema “Fotografia em sala de aula” Guilherme Pacheco do MIS mediou a conversa com a coordenadora do educativo do Museu Yule Barbosa, o fotógrafo Jorge Sato e a professora da rede municipal Nágila Polido.

Abrindo a rodada, Yuli apresentou o projeto Hyperlink do MIS que trabalha em parceria com escolas da rede pública e fotógrafos que expõe no museu com o objetivo de democratizar o discurso fotográfico.

Já foram realizadas 18 edições e uma só para professores, das quais participaram 16 artistas, 2 curadores, e 12 escolas.

Basicamente no projeto uma equipe do museu passa um dia na escola conversando sobre fotografia e crítica, desenvolve um atividade prática, e posteriormente traz os alunos ao museu conhecerem a exposição e participarem de um bate papo com o curador ou fotógrafo expositor.

Yuli destacou após apresentar as atividades de algumas edições, como essa troca é importante não só para os alunos como também para os fotógrafos que participam. E Jorge Sato relembrou de sua experiência com os alunos comentando como as perguntas que faziam eram profundas, e geradoras de questionamentos sobre seu trabalho.

Dando sequência Guilherme pergunta a professora Nágila, qual a importância do projeto para os alunos.

A professora coloca que não faz sentido falar somente da fotografia em sala de aula, mas sim ampliar para qual a importância da cultura na sala de aula.ela diz que proporcionou um olhar mais refinado sobre a própria realidade dos alunos. Além de exercitar esse olhar de fotógrafo, que sintetiza ideias através do enquadramento.

Por outro lado, também favoreceu muito na interpretação e compreensão de textos literários, com isso eles compreendem que o fazer artístico pode ser tanto pelo olhar como pela palavra.

De maneira geral qualquer processo cultural enriquece muito a experiência do professor, e contribui para ampliar a visão dos alunos sobre o mundo.

Antes de passar a palavra ela ainda fala sobre o processo de desenvolvimento do senso crítico, vão refinando o gosto, e vão criando os próprios critérios de avaliação das exposição, e vão se sentindo mais a vontade para transitar em espaços como o museu.

Eles vão se tornando mais autônomos, e se sentindo mais parte da vida cultural da cidade, e acho que isso falta muito para os alunos de periferia.
Foto de Bea Rodrigues

Ao falar sobre seu processo, o fotógrafo Sato nos conta sobre sua transição do digital para o analógico no processo autoral, sobretudo após passar por um período de assistente do fotógrafo Cláudio Edinger. Segundo ele o digital é muito cômodo, e isso traz o perigo de ficar preguiço na criação fotográfica.

Guilherme então coloca que em oposição a trajetória de Sato, hoje a fotografia digital está muito presente na sala de aula e pergunta a professora como ela vê processo educativo em meio a quantidade enorme de imagens que os alunos fazem.

Nágilia diz que a tecnologia é muito atrativa e por isso muito difícil de concorrer com ela. Mas através das atividades vê que os alunos passam a questionar as formas mais tradicionais dessas fotos de celular, como as selfies por exemplo. Por isso acha que a melhor maneira de lidar não é proibindo o uso dessa tecnologia e sim educando-os para criar outro tipo de imagens a partir das mesas ferramentas.

Sato complementa que como fotógrafo gosta de frisar que antes de usar a ferramenta, o fotógrafo tem que ter o olhar. Por isso confessa que embora tivesse certo preconceito com o celular no início, hoje acha bem interessante, pois mantendo a preocupação com o olhar é possível captar coisas incríveis.

Yuli contribui com a discussão dizendo que prefere não inibir nem descartar nenhum tipo de produção dos alunos, mesmo selfies. Ela prefere trabalhar as referências e conceitos por trás da obra do autor que propõe a cada edição do projeto Hyperlink, e isso faz transforma muito o olhar do aluno.

Por outro lado esse processo de não inibir também é importante como autoafirmação, pois eles tem uma visão de que o que fazem não é levado a serio, que é ruim. Mas quando analisamos vemos que tem muito a ser trabalhado na fotografia de um aluno que está experimentando.

Uma educadora da platéia compartilha suas experiências de levar a fotografia para as aulas de geografia, e destaca como um de seus principais aprendizados a necessidade de criar um diálogo verdadeiro com os alunos. De não se colocar em uma posição hierárquica na relação professor — aluno, e propor um diálogo horizontal, dando mais liberdade a si mesmo e aos alunos.

Para encerrar a mesa, a professora Nágila ressalta a importância de um processo de vivência contínuo para a evolução dos alunos, como o trabalho que desenvolve a partir das visitas e da participação dos projetos educativos do museu.

Eles ja tinham passados por diversas exposições do MIS e foram criando um conhecimento prévio para se colocar no lugar de alguém que podia criticar. E com a fundamentação passada no projeto, eles foram tentando ser cada vez mais consistentes em suas produções e análises críticas, por isso que eles tem avançado bastante nesse sentido.